O emocionado clamor de um povo

Nelson Trad Filho *, Jornal do Brasil

RIO - A festa apoteótica em verde-amarelo proporcionada pela população de Campo Grande para recepcionar o Comitê Organizador da Copa do Mundo 2014 e os representantes da Fifa, em 3 de fevereiro, significou, antes de qualquer reflexão, o reconhecimento da integridade dos critérios adotados por esses dirigentes, para conduzir o processo de escolha das cidades-sedes do grandioso evento do esporte mundial. E foi uma genuína demonstração de amor ao futebol, à Seleção Brasileira e ao país. As ruas da capital, candidata a subsede da Copa 2014, foram tomadas por um povo ordeiro e que sente na pele o orgulho de ser brasileiro. Algo de emocionar e sensibilizar a todos. E os integrantes do órgão máximo do futebol, seguramente, deixaram-se contagiar pela alegria, espontaneidade e patriotismo de nossa brava gente. Afinal, como não ouvir o clamor de 200 mil pessoas?

O apoio de nações amigas, como Paraguai e Bolívia, também ajudou a fortalecer essa corrente, que cresce a cada dia, em prol da candidatura de Campo Grande. Se falamos sobre a Copa do meio ambiente, e se a Fifa já anunciou a auspiciosa decisão de que uma das subsedes do Mundial será no nosso precioso Pantanal considerado pela Unesco patrimônio da Humanidade e reserva da biosfera a cidade deu uma demonstração de capacidade de mobilização, união e determinação em busca de ser escolhida uma das 12 subsedes da maior competição de futebol no planeta.

E não se trata de ufanismo inconsequente de um povo movido pela paixão ao futebol. Campo Grande reúne, de fato, plenas condições de infraestrutura para reivindicar ser a subsede do Pantanal na Copa. Atualmente, as ações de saneamento atingem 57% da cidade; em 2013, alcançarão a marca de 70%. E mais, novos linhões darão ao estado a condição de exportador de energia elétrica.

Projetada urbanisticamente por Jaime Lerner, na década de 70, com planejamento urbano moderno que facilita o tráfego por suas amplas avenidas, a cidade não tem engarrafamentos. Possui vastos parques arborizados, desconhece o que seja favela; os índices de violência são inexpressivos se comparados com outras capitais da região. A segurança é sempre um ponto de extrema relevância na avaliação da Fifa.

Além disso, o estado está estrategicamente localizado: faz fronteira com Paraguai e Bolívia, divisa com Goiás, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. A questão do transporte aéreo também está bem equacionada. Já com três aeroportos internacionais Campo Grande, Ponta Porã e Corumbá em março contará com mais um, em Bonito.

Outro aspecto favorável à candidatura de Campo Grande é a localização do Estádio Morenão, que dista apenas 500 metros da nova rodoviária e 300 metros do Hospital Universitário, estádio que será totalmente remodelado, caso a cidade seja uma das escolhidas, por meio de uma parceria público-privada (PPP). Tornar-se-á uma arena multiuso para 45 mil pessoas e será autossustentável, conforme determinam as diretrizes da Fifa: terá shopping, restaurantes e um gigantesco estacionamento.

A sustentar o sonho de Campo Grande, um significativo aporte financeiro: R$ 100 milhões do PAC e cerca de R$ 1,2 bilhão de investimentos dos governos estadual e municipal. Mais do que o incomensurável orgulho de ser uma das subsedes da segunda Copa no Brasil, a competição deixará um inestimável legado de infraestrutura para a Universidade, para toda a população da cidade e para Mato Grosso do Sul.

* prefeito de Campo Grande