Ara Ketu se rende a ícones negros em Salvador

Portal Terra

SALVADOR - Quando a banda Ara Ketu entrar no circuito Campo Grande do Carnaval de Salvador, neste sábado, a vocalista Larissa Luz, 21 anos, renderá homenagens a ícones da música carnavalesca baiana e no seu diálogo com o público lembrará também do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A idéia é fazer um Carnaval exaltando a raça negra. Seu figurino lembrará os trajes das antigas rainhas africanas, com um toque de modernidade.

A cantora baiana é a sucessora de Tatau, que comandou o Araketu por 18 anos e no Carnaval do ano passado assumiu a sua carreira solo. Desde os 14 anos se apresenta em Salvador e em alguns cruzeiros pelo litoral brasileiro.

- Meu corpo se desenvolveu muito cedo e pensavam que eu era mais velha. Isso facilitou um pouco para começar tão cedo. Eu tinha 14 anos e pensavam que eu era mais velha. Ninguém me barrava - diverte-se.

Na sua apresentação em Campo Grande, Larissa lembrará os 60 anos do bloco Afro Filhos de Gandhi, os 30 anos de carreira de Carlinhos Brown e os dez anos do bloco Os Mascarados, de Margareth Menezes.

- O Ara Ketu é um grupo negro e não pode deixar de celebrar o que temos de melhor na nossa cultura. Barack Obama marcou a disputa presidencial com o "Yes, I can" (Sim, nós podemos). Tenho usado desde então essa frase em minhas apresentações. Temos muito a dar à cultura brasileira e ao Brasil - discursa a cantora.

Após assumir o Ara Ketu no fim de 2007, Larissa trancou o curso de Letras na Universidade Federal da Bahia. Ela cursou dois anos e pretende retomar os estudos assim que conseguir conciliar a sua agenda. Afirma que adora escrever e até planeja um livro, ou até mesmo manter uma coluna de jornal na imprensa regional.

- Tenho muito gosto pela leitura e é ao que me dedico nas horas de folga. Mais para a frente, gostaria de escrever um livro, uma coluna sobre música. Por enquanto, tenho ficado só nas composições. Adoraria lecionar também - disse.

No último mês, ela afirma que conclui a leitura de "Memórias de Minhas Putas Tristes", de Gabriel Garcia Márquez.

- Quando chega perto do Carnaval, fica mais complicado, porque não sobra tempo para quase mais nada. Minha casa, nestes dias, mais parece um ateliê. A gente testa as roupas, tem acompanhamento de fonoaudiólogo, faz exames contínuos para ver como estão as cordas vocaias. É insano. Não dá para dormir mais do que quatro ou cinco horas por dia - afirma.

Após o Carnaval, a cantora pretende corrigir um problema de miopia, que a incomoda um pouco. "Já venho adiando isso a um tempo e quando conseguir, pretende fazer uma cirurgia para a correção do problema.