Fashion Rio 2009: No inverno, a sensualidade dá lugar à elegância

Iesa Rodrigues, Jornal do Brasil

RIO - A sensualidade explícita está fora de moda. O que se viu nos desfiles e o que se declara nos bastidores do Fashion Rio é que há a volta da elegância. Até esta palavra, considerada passada pela ala que aposta no estilo mais pop e vintage, volta a ter força nas passarelas da Marina da Glória. A melhor prova é a coleção que Ana Magalhães assina para a Maria Bonita Extra, uma mistura de rock e realeza, de tradição renovada, por coletes pretos de alfaiataria, vestidos abalonados de seda estampada em tons de coral, moletons em vestidos com corte alto.

Um estilo quase senhorial, não fossem os joelhos de fora e os detalhes de dobraduras e babados assimétricos junto aos decotes e os broches de coração, que lembram Yves Saint-Laurent, mas ganham ares jovens no cristal multicolorido.

A Tessuti também uniu tradição e modernidade, referências aos balés russos e ao trabalho do estilista Valentino. Fafa Cosenza levou o estilo para uma atitude básica: o que vale é o preto usado do pescoço aos pés. Vestidos clássicos, em renda chantilly são usados por cima de collants e segundas-peles pretas, que servem de luvas e continuam sobre os escarpins pretos. É uma maneira diferente de mostrar peças que lembram a elegância autêntica dos anos 50 e 60, uma transgressão dentro da tradição. As jóias de Priscilla Szafir arremataram brihantemente o conjunto.

Nem as marcas novas escapam da contradição. Renata Salles e Marcela Calmon, da grife Filhas de Gaia, brincaram com cores luminosas, inspiradas pelos vitrais das igrejas góticas e jogaram no preto com babados e repuxados repolhudos, em curtos e longos. Leticia Birkheuer, amiga da dupla, abriu o desfile de vestido curto, drapeado e fechou com um dos longos negros, com babados na vertical. Só o comprimento mini demarcou o limite dos modelos clássicos de alta-costura e a roupa de festa das jovens cariocas.

Na Koolture, Daniela Connoly fez um apanhado da própria obra desde que participava do Rio Moda Hype. Mas em vez dos jeans e camisetas, mostrou vestidos pretos com aplicações em metal prata, saias ciganas, em panos cinzas e pretos. Uma versão mais adulta do caminho sem tanto compromisso com a moda que Daniela seguia até agora.

Corredores cheios

Os corredores estavam cheios e multicoloridos na segunda noite do evento. A angolana Ewaldina Aleixo, 19 anos, chamava a atenção por onde ia usando um bubu, traje típico de seu país, composto por uma saia, uma espécie de bata e um turbante feito com lenço da mesma cor.

No estande do site Chic, perguntada sobre o que será chique em 2009, a consultora de moda Gloria Kalil avisou:

Para começar, não falar sobre crise. Nenhum assunto ligado a dinheiro pode ser chique.

Colaborou Táia Rocha