México suspende importação de carne dos EUA

SÃO PAULO, 29 de dezembro de 2008 - A partir da próxima quarta-feira o México deixará de comprar carne processada por 30 frigoríficos dos Estados Unidos. Os frigoríficos embargados produzem carne bovina, de cordeiro, suína e de frango e pertencem às maiores companhias de carne do mundo, incluindo a Cargill, a Tyson Foods, a brasileira JBS, a Seaboard e a Smithfield Foods, de acordo com lista divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda).

O México é o principal comprador da carne norte-americana e a suspensão já provocou quedas acentuadas dos preços futuros das carnes bovina e suína em Chicago.

Analistas acreditam que a medida é uma represália à implementação da lei que prevê a rotulagem dos produtos segundo o país de origem (Cool), aprovada nos EUA no início deste ano e que entra em vigor em janeiro de 2009. No entanto, a medida pode estar relacionada a algumas irregularidades nos embarques envolvendo os pontos de entrada dos produtos no México.

A legislação de rotulagem prevê que as embalagens de carne contenham etiquetas especificando os países de origem dos animais. Autoridades do México alegam que a regra contribui com a discriminação do produto mexicano pelos consumidores dos EUA.

"Essa é a única razão que podemos enxergar para o México agir dessa forma", afirmou Rich Nelson, analista da Allendale Inc.

"Essas são más notícias", completou Jim Clarkson, analista da A&A Trading, em Chicago. "Eles (México) estão lutando contra a Cool e as suspensões podem continuar por várias semanas".

Para Paulo Molinari, da Safras & Mercado, esse rompimento da bilateralidade entre os dois países pode beneficiar o Brasil, que não exporta uma grama sequer de carne suína para México e uma quantidade irrisória da bovina, e apenas a versão industrializada. Das 2,03 milhões de toneladas de carne de boi exportadas, só 873 toneladas foram parar no México.

(Redação - Agência JB Online)