'Legalização da maconha nunca foi prioridade', diz Paes

JB Online

RIO - O candidato do PMDB à prefeitura do Rio, Eduardo Paes, divulgou nota à imprensa sobre a declaração feita durante debate em São Paulo, onde ele afirmou ter experimentado maconha na juventude.

Em nota, Paes deixa claro que essa experiência não pode ser comparada à do candidato do PV à prefeitura do Rio, Fernando Gabeira, a quem ele define como "um deputado federal que marcou sua vida pela defesa da sua legalização". Leia a nota na íntegra:

Ao verificar nos onlines dos principais jornais brasileiros a repercussão do debate entre mim e o deputado Fernando Gabeira, promovido hoje pelo jornal Folha de São Paulo, me sinto no dever de enfatizar pontos importantes que darão maior clareza na busca do bom jornalismo, de informar corretamente os leitores.

O jornalista Mário Magalhães, da Folha de São Paulo, fez uma pergunta aos dois candidatos: "O senhor já experimentou maconha?". A minha resposta foi:

- Experimentei quando jovem e não gostei - e enfatizei que durante toda a minha vida pública sempre me manifestei contra a legalização da maconha.

Já o deputado federal Fernando Gabeira fez da defesa da legalização da maconha um dos seus principais compromissos como homem público. Até pouco tempo, no seu site de deputado, havia uma folha de maconha estampada na página principal. A própria empresa proprietária do jornal Folha de São Paulo, por intermédio da editora Publifolha, editou um livro sobre a maconha, cujo autor é o deputado, no qual ele faz considerações sobre as características dessa droga e mostra profundo conhecimento de estudioso e usuário.

Em fevereiro do ano passado, em entrevista à revista Playboy, ao contrário do que disse hoje no debate da Folha, o deputado Fernando Gabeira declarou que "eu defendo a legalização, estudo o assunto e, quando vou a Amsterdã, fumo. Lá você tem uma oferta maior." Em certos momentos, exalta as qualidades da maconha: "a maconha não é uma planta, é uma cultura. Só ela tem um museu em Amsterdã. A berinjela não tem, a abóbora não tem. Aqui no Brasil, os brancos fazem propaganda mostrando que quem fuma maconha fica abobado. Os guajajaras usavam para intensificar o trabalho na colheita, outros fumam para ampliar a consciência, outros fumam para relaxar, outros fumam porque estão de saco cheio", declarou Gabeira à Playboy.

Sempre defendi intransigentemente, como homem público, a liberdade de imprensa. Ela é o pilar fundamental da democracia. No entanto, cabe aos órgãos de comunicação darem aos seus leitores a devida proporção dos fatos. Percebo (pelas notícias publicadas nos onlines) uma tentativa de igualar o experimento de um cigarro de maconha por um jovem - que, homem público sempre se posicionou contra a legalização da maconha -, com um deputado federal que marcou sua vida pela defesa da sua legalização. Jamais esse tema foi prioridade na minha vida e, sempre que abordado sobre a legalização da droga, refutei veementemente.

Envio essa mensagem às redações dos jornais na convicção de que a imprensa brasileira, que é orgulho da democracia e do povo brasileiro, nunca faltará com o critério da imparcialidade na cobertura de quaisquer fatos.