CPI: cooperativas de vans do Rio das Pedras apoiam Crivella

Júlia Moura, JB Online

RIO - O presidente da Cooperativa de Vans do Rio das Pedras, Getúlio Rodrigues Gamas, que fica em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, disse nesta terça-feira em depoimento a CPI das Milícias da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) que todas as cooperativas do local apoiam o candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB). Perguntado, após o depoimento, sobre qual candidato a cooperativa para qual trabalha apóia, Getúlio negou apoio a algum candidato.

Getúlio Rodrigues disse não ter conhecimento de atuação de grupos paramilitares dentro da comunidade do Rio das Pedras, mas confirmou já ter feito campanha e distribuído 2 mil camisetas para o vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho (DEM). Getúlio disse ainda que após a morte do inspetor Félix Tostes, ele deixou de apoiá-lo e que por isso sofre ameaças de morte, motivo pelo qual não mora no Rio de Janeiro. Ele acusou a milícia de Campo Grande, a mando do vereador Nadinho, de ser responsável pela morte do policial.

- Eu sou a única testemunha de acusação ( inquérito da morte do inspetor Félix), acusando o vereador Nadinho do assassinato do inspetor Félix disse Getúlio Rodrigues, confirmando também ter apoiado nas últimas eleições o Deputado Estadual Capitão Queirós e o deputado Federal Marcelo Itagiba.

- Esse grupo além de afinidade política, tem negócios em comum. Articulações econômicas que se entrelaçam disse o presidente da CPI, Marcelo Freixo (Psol).

Também depôs nesta terça-feira, o vereador de São Gonçalo e sargento da PM, Geiso Pereira Turques citado nos últimos depoimentos de ter envolvimento com as milícias do Rio das Pedras. Geiso, que reponde a mais de quatro inquéritos policiais por homicídio, tortura e agressão, negou as acusações e disse fazer um trabalho social na comunidade através do seu Centro Social Castelo das Pedras. De acordo com Geiso são doados por ele R$ 3 mil por mês para o centro social, dinheiro arrecadado da bilheteria do Castelo das Pedras, casa de shows nas qual é proprietário.

Já Marco Aurélio França, o Marcão de Jacarepaguá, presidente da Associação de Moradores do Novo Rio, comunidade ao lado da Guardênia Azul, em Jacarepaguá afirmou existir gatonet, transporte alternativo, taxa de segurança cobrada aos comerciantes e depósito de gás na favela do Novo Rio vindos da Guardênia Azul. Marcão, que também é suplente de deputado Federal (PSC), acusou o delegado da 32ª DP, Pedro Paulo Pinho, de perseguição e de dar proteção ao candidato a vereador Cristiano Girão (PMN), acusado de ser o chefe da milícia na Guardênia Azul.

- Girão é o xerife. Eu sou líder comunitário e não me compactuo com ele, por isso sou ameaçado de morte conclui Marcão.

A deputada Cidinha Campos (PDT) disse que é por causa de alguns delegados que só fazem procedimentos para inglês ver que as milícias ganharam força.

- Ninguém quis apurar coisa alguma. Por isso, as milícias se criaram na área. Só fazem procedimentos para inglês ver concluiu Cindinha.