Mesatenista: ser campeão é tão difícil quanto entrar para Nasa

Portal Terra

SÃO PAULO - O mesatenista Gustavo Tsuboi, primeiro brasileiro a conseguir uma vaga em sua categoria para os Jogos Olímpicos de Pequim, disse que "as duas coisas mais difíceis do mundo são entrar para a Nasa e ser campeão mundial de tênis de mesa", além de considerar "loucas" as pessoas que falam que o esporte não é olímpico. A informação é da Agência Ansa.

- Elas acham que é pingue-pongue, que joga no clube, na praça, mas tem muita diferença. O material, as regras, a preparação... é tudo diferente. Quem fala isso está desatualizado, falando besteira - declarou Tsuboi.

- Tênis de mesa é muito difícil, até preferiria estar em outro esporte - brincou.

O brasileiro, 23 anos, vai participar de sua primeira Olimpíada. O atleta disse que a possibilidade de conquistar uma medalha é "mínima", mas pelo menos "a gente tem bem mais chances de ganhar do que os argentinos".

- Eles já conhecem nosso estilo, sabem como jogar contra a gente. Mas se for ver no cenário mundial, a gente tem bem mais chances - declarou Tsuboi, que treina de cinco a seis horas por dia, só na mesa, e ainda faz exercícios para o condicionamento físico.

Segundo ele, será difícil conseguir uma medalha, mas o Brasil pode surpreender. Ao lado de Thiago Monteiro e do veterano Hugo Hoyama, Tsuboi ganhou o ouro no Pan-Americano do Rio de Janeiro, e acredita que com essa mesma equipe há uma pequena chance em Pequim.

- Dá para acreditar que a gente pode ficar entre os dez primeiros. Dá para acreditar em uma semi-final também... Vai depender do dia - comentou o atleta, 156º no ranking mundial.

Na disputa individual, Tsuboi aposta no chinês Wang Liqin para a medalha de ouro.

- A China fez um trabalho fenomenal, o governo investiu muito no tênis de mesa... Para se ter uma idéia, a equipe deles é formada pelos três primeiros colocados do ranking mundial. Não digo que são imbatíveis, porque alguns torneios eles perdem, mas o favoritismo é deles - explicou Tsuboi.

Entre os latino-americanos, o mesatenista disse que as principais forças são, depois dos brasileiros, os argentinos Liu Song (chinês naturalizado desde 1998) e Pablo Tabachnik, além de Dexter St. Louis, que joga por Trinidad e Tobago.

Tsuboi conquistou sua vaga para os Jogos no Pré-Olímpico da República Dominicana, terra de Luis Lin Ju, chinês que desde 2003 é caribenho e que eliminou o brasileiro na disputa individual no Pan-Americano do ano passado.

Questionado sobre as naturalizações de chineses que disputam torneios internacionais por outras nações, o atleta disse:

- Tem os dois lados da moeda: pode beneficiar o país, trazer mais resultados expressivos, o governo pode investir mais no esporte... Por outro lado, você acaba tirando a vaga de um jogador do próprio país, o que não é legal. Quem se esforça e tenta alcançar um alto nível, acaba perdendo espaço para um chinês naturalizado -

- Não sou a favor nem contra. Hoje até seria bom se um chinês morasse no Brasil, porque outros atletas poderiam estudar a técnica dele, treinar com ele. Mas esses chineses (referindo-se ao argentino e ao dominicano) jogam na Europa, não ficam nos países que representam - acrescentou o mesatenista, que atualmente joga pelo clube francês Villeneuve.

A respeito do Tibete, o esportista disse que era complicado falar de boicote, mas expôs timidamente sua opinião:

- A gente é atleta e foi muito difícil conquistar uma vaga na Olimpíada... Aí a gente vai deixar passar uma oportunidade dessas? Será que vai ter outra? -

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