Partido Colorado pode deixar o poder no Paraguai após 60 anos

Agência ANSA

ASSUNÇÃO - Pela primeira vez em 60 anos o Partido Colorado corre o risco de deixar o poder no Paraguai, segundo avaliação de analistas políticos.

O Partido Colorado chegou ao poder em 1947, através de um golpe de Estado do presidente Higinio Moríngio, que substituiu todos os ministros de seu gabinete por membros do Partido Colorado.

Uma série de golpes e mudanças de governo se sucederam no país até 1954, quando o general Alfredo Strossner, hoje falecido, tomou o poder e comandou uma ditadura durante 35 anos, sendo destituído também por um golpe, em 1989.

Desde que se iniciou o período democrático paraguaio, quatro eleições foram realizadas. Em todas elas, venceu o Partido Colorado.

Para o jornalista e historiador Luis Verón, o esquema montado pelos colorados contribuiu para que eles permanecessem no poder.

Lembrou que, para exercer cargos públicos, o governo exigia filiação partidária dos interessados nas vagas, obrigando muitos opositores a mudarem de lado.

- No Paraguai sempre existiu um forte bipartidarismo, mas esse esquema de exigência de filiação enfraqueceu muito o outro partido, o Liberal - explicou Verón.

Alcibíades Gonzáles Delvalle, também analista político, disse que "o acúmulo de erros cometidos pelos colorados nesses 60 anos, sobretudo o apoio dado à ditadura stronista, determinou sua decadência atual".

A quatro dias das eleições, o ex-bispo Fernando Lugo, da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, em espanhol), aparece nas pesquisas com uma vantagem de seis pontos percentuais em relação à candidata governista, Blanca Ovelar.

Em terceiro lugar vem o general na reserva Lino Oviedo, que já esteve exilado no Brasil.