CSA descarta redirecionar produção para o Brasil

RIO, 25 de março de 2008 - Planejada para produzir 5 milhões de toneladas, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Itaguaí, no Rio, descarta direcionar parte da produção para o mercado interno, se houver problema de abastecimento como teme o governo. "O governo não está preocupado só com isso (abastecimento), mas em gerar emprego, gerar divisas e a contribuição da CSA será de mais de US$ 1 bilhão no balanço de pagamentos. Não há esse tipo de pressão. O nosso governo não está mais numa economia dirigida", respondeu o presidente da siderúrgica, Aristides Coberlini, ao ser indagado sobre uma possível pressão do governo para manter parte da produção de aço no Brasil.

Em entrevista à Gazeta Mercantil, o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Marco Polo Mello, reforçou o que o presidente da CSA disse ontem pela manhã. O representante do IBS explicou que os projetos pré-concebidos para atender a companhias no exterior não estão incluídos no plano de expansão de capacidade do setor. É o caso de três projetos com participação da Vale que estão em andamento. Além da CSA, as usinas da Vale com a Baosteel em Vitória e no Maranhão não deverão, segundo Mello, atender às necessidades do mercado interno diante de uma eventual necessidade.

Corbellini participou de solenidade de assinatura de um convênio com o governo do Rio que destinará R$ 4,6 milhões como forma de compensação ambiental pela instalação da CSA.

Dois milhões de toneladas de placas de aço da CSA serão processadas na Europa e outras três milhões no mercado americano. O destino final desses produtos não será necessariamente estes mercados, mas provavelmente os países asiáticos. Por este motivo, o executivo, não teme desaceleração na economia americana como obstáculo às operações da CSA.

(Sabrina Lorenzi - Gazeta Mercantil)