Vila Isabel volta aos temas sociais e aposta em Alex de Souza

Angélica Paulo, JB Online

RIO - Apesar de ainda não figurar entre os chamados gênios do carnaval carioca, como Joãozinho

Trinta, Max Lopes e, mais recentemente, Paulo Barros, um nome que vem despontando no concorrido mundo dos carnavalescos é o de Alex de Souza, responsável, em 2008, pelo desfile da Vila Isabel.

Discreto, Alex, que faz seu terceiro trabalho entre as chamadas grandes escolas do Carnaval carioca, diz que preferiu levar o enredo Trabalhadores do Brasil para a avenida de maneira linear, praticamente didática, para que pudesse ser entendido por quem assistir tanto de casa quanto da Marquês de Sapucaí.

- Como não é um enredo fácil de trabalhar, preferi não investir em delírios visuais. Este enredo é quase um documentário que será levado para a avenida. Então, o importante é fazer as pessoas entenderem a história do Brasil através das alas define Alex, que começou sua carreira no mundo do samba como assistente do carnavalesco Renato Lage.

O começo como carnavalesco no Grupo Especial não foi fácil. Em 2006, comandou o carnaval da Acadêmicos da Rocinha, que levou para a avenida o enredo Felicidade não tem preço , mas por umas série de problemas técnicos acabou rebaixada; em 2007 foi a vez da Mocidade, escola onde começou a carreira como assistente de carnavalesco. Lá, ficou em 11º lugar com o enredo O Futuro do Pretérito: uma história feita à mão .

Para desenvolver o enredo que ele mesmo considera difícil e abstrato, Alex de Souza contou com a ajuda de seu xará, o historiador Alex Varela, responsável pela pesquisa. A partir daí, procurou separar as alas de maneira cronológica, a começar pela comissão de frente, cuja proposta, revela ele, é fazer uma ligação entre o índio e o trabalho .

- Apesar de ser um tema essencialmente político, fiz questão de realizar um desfile apartidário, sem levantar bandeiras de partidos ou associações. É um enredo extremamente social contou.

O enredo deste ano traz de volta uma temática sociológica que sempre trouxe bons resultados para a escola de Noel Rosa. Basta lembrar de desfiles históricos como Kizomba: a festa da raça , com o qual conquistou o primeiro lugar no Grupo Especial, em 1988. Com Trabalhadores do Brasil , a escola pretende repetir o feito de 2006 e sagrar-se campeã do carnaval. Para isso, Alex destaca alguns setores do desfile que considera como mais importantes, sem desmerecer os outros.

- A ala das baianas, que vem representando o mar, fala sobre o caminho utilizado pelos navegantes portugueses para chegar ao Brasil. Já a bateria traz a chegada dos imigrantes japoneses e vêm vestidos de samurais. Curiosamente, a madrinha de bateria é a Natália (Guimarães, miss Brasil) que perdeu o posto de Miss Universo para uma japonesa recordou.

Além das baianas e da bateria, um gigantesco carro que traz á frente um guerreiro africano traz para a avenida a sempre decantada chegada dos escravos para o Brasil e de sua importância para a economia brasileira desde sua aprovação, em 1559.

Mas Alex confessa que, dentre todos os setores que compõem o desfile, seu favorito, até mesmo por questões sentimentais, é o que falará sobre o trabalha agrícola do Brasil, representado por um enorme carro de boi, com fantasias bem coloridas, mostrando a força do trabalho no campo.

Com cerca de 80% do desfile pronto, Alex trabalha agora nos ajustes finais do desfile e promete uma surpresa para os foliões no último carro, que fala sobre os trabalhadores da Vila, representado por enormes carteiras de identidade de figuras ilustres da escola.

- Vamos fazer um carnaval animado, com muito samba no pé. O tema nos permite atravessar várias estéticas, então teremos um desfile muito colorido, utilizando diversos materiais, desde o metal até plumas e paetês finalizou.