Lucinha Nobre e Bira: Sintonia e qualidade na Unidos da Tijuca

Angélica Paulo, JB Online

RIO - A trajetória da Unidos da Tijuca no carnaval carioca vem traçando uma curva ascendente. De simples coadjuvante das escolas do Grupo Especial, a Azul-pavão, a agremiação figura, hoje, entre as principais. Esse crescimento tem origem em vários fatores. Um deles, destaque na escola, é o primeiro-casal de mestre-sala e porta-bandeira, Lucinha Nobre e Bira.

Juntos há quatro anos, a sintonia entre os dois é tanta que já ultrapassou a quadra da escola. O casal realiza apresentações em eventos e shows, como aconteceu no último sábado, no Píer Mauá, durante o baile de Carnaval da Orquestra Imperial.

Falante, a irmã de Dudu Nobre conta que conheceu Bira quando ele ainda era integrante da bateria da escola. Em tom de brincadeira, sempre dizia que ainda formariam uma boa dupla de mestre-sala e porta-bandeira. No início, não foi levada à sério, mas de tanto insistir, acabou conseguindo o que queria.

O casal estreou na Sapucaí em 2004 e, de cara, já levou um tamborim de ouro como melhor casal. Daí para frente foram mais dois tamborins, além de várias notas dez dos jurados do Grupo Especial. Mesmo começando com o pé direito, Bira confessa que não foi fácil.

- No primeiro ensaio técnico na Sapucaí como mestre-sala, não sabia se me concentrava nos passos ou se olhava para a bateria revelou. Minha sorte foi que os ritmistas me encorajaram a prestar atenção no que tinha que fazer e tudo saiu bem relembrou o mestre-sala, que começou a carreira carnavalesca na Mangueira, transferindo-se para a Tijuca em 2002.

A rotina de trabalho da dupla é intensa, principalmente nos dias que antecedem o carnaval, e incluem ensaios diários e malhação na academia A!Body Tech, parceira da dupla há três anos, pelo menos quatro vezes por semana.

- Além do trabalho muscular e da coreografia, também fazemos aulas de balé três vezes por semana. Tive muito trabalho para convencer o Bira a fazer as aulas. Até hoje ele sai vestido como se fosse jogar uma pelada, para que ninguém desconfie que ele vai dançar revelou Lucinha, deixando Bira sem graça. Mas o mestre-sala admite a importância das aulas.

- O balé foi importantíssimo para o meu desenvolvimento, um verdadeiro divisor de águas contou.

Mais experiente, é Lucinha quem praticamente decide a coreografia que será apresentada na avenida. As mudanças, segundo ela, são constantes.

- Muitas vezes já estamos com tudo ensaiado, quando percebo que não ficou bom e, em cima da hora, mudo alguma coisa. Já cheguei a fazer isso na avenida. O Bira fica louco, mas no final dá tudo certo disse, mostrando um pequeno caderno onde anota toda a evolução do casal durante os ensaios.

Lucinha e Bira vêm à frente da bateria, dividindo o espaço com a rainha Adriane Galisteu, fato que, em muitas escolas, causa uma verdadeira guerra de egos. Mas para Lucinha, o fato não tem nenhuma importância.

- Ela é inteligente, compreendeu o lugar que deve ocupar para que o desfile corra bem. Tivemos uma rápida conversa antes do ensaio técnico e tudo fluiu muito bem. Sou fã da Adriane e sei que, na Avenida, não teremos o menor problema. elogiou, para logo depois acrescentar: - O que realmente me incomoda são algumas musas, que muitas vezes não conseguem o posto de rainhas em outras escolas e só vêm para aparecer pontuou, sem medo da polêmica.

Tranqüilo e sorridente, Bira apenas observa. Neto de Marcelino, primeiro mestre-sala da Mangueira, diz vestir a camisa da Unidos da Tijuca com amor e credita à Lucinha tudo o que aprendeu desde que começou no posto de mestre-sala.

- Ela tem me ensinado muito, desde que troquei a bateria pelo posto de mestre-sala disse, acrescentando que o amor pela escola vem em primeiro lugar. Estou muito feliz na Tijuca e não sairia daqui por nenhum tipo de proposta financeira.

Lucinha faz coro e acrescenta que a escola, que defende o enredo Vou juntando o que eu quiser, minha mania vale ouro. Sou Tijuca, trago a arte colecionando o meu tesouro", sobre a arte dos colecionadores, vai apresentar um carnaval surpreendente, além de vir mais rica.

- A grande estrela da escola é a comunidade. É de lá que vem a força da Tijuca, do seu conjunto afirmou. O momento pelo qual estamos passando é muito bom. Não existe um clima de já ganhou, mas a escola vem para brigar afirmou.

Perguntados sobre a roupa que usarão na Sapucaí, os dois fazem mistério. A porta-bandeira diz apenas que vem trabalhando a roupa com o estilista de carnaval Edmilson Lima e que vêm no setor exotérico. Bira também faz questão de manter o segredo.

- A única coisa que posso dizer é que nossa fantasia é atrevida e ousada finalizou.