Imperatriz como nos velhos tempos

Marcello Victor, JB Online

RIO - Uma Imperatriz Leopoldinense como nos velhos tempos. A verde-e-branco de Ramos abriu mão um pouco de seu luxo tradicional e enxugou o número de componentes para defender na Marquês de Sapucaí o enredo João e Marias, que comemora os 200 anos da chegada da família real ao Brasil e fala sobre a importância que as mulheres com esse nome tiveram na vida do rei de Portugal. Uma delas Maria Leopoldina, esposa de D. Pedro I e que dá nome a escola.

Com um carnaval orçado em R$ 3 milhões, a Imperatriz vai levar para o Sambódromo três mil componentes, mesmo número do tricampeonato de 1999/200/2001, os últimos agremiação. Serão 34 alas, sendo 17 delas vestidas pela escola. Para o diretor de carnaval, Wágner Araújo, a decisão de cortar dez alas comerciais beneficiará na harmonia e evolução. Além disso, permitirá que outros 500 componentes da comunidade de Ramos, que não teriam condições financeiras, defendam a verde-ebranco na Sapucaí.

- Será um carnaval leve, de leitura clara e objetiva, ajudado por um grande samba. Espero voltar no desfile das campeãs - aposta Wágner Araújo.

Na avenida, sete carros contam a saga da família real portuguesa. No primeiro deles, um resumo sobre o enredo. A segunda e a terceira alegorias fazem menção a corte e a revolução francesa. A rainha Maria Antonieta é a primeira das Marias a aparecer. O reino francês é destronado pelos revolucionários, por excesso nos gastos e dificuldades políticas. Maria Francisca, a Louca, mãe de D. João, que temia a ameaça de invasão de Napoleão à Portugal e induz o rei a abandonar o país, é outra retratada nesta fase.

A partida de Portugal e a chegada da corte ao Rio de Janeiro são abordados no terceiro e no quarto setores da escola. Para o Brasil também partem Maria Teresa, Maria isabel, Maria Francisca, Maria Assunção, Isabel Maria e Ana de Jesus Maria, irmãs do monarca. A quarta alegoria traz uma baleia gigante, referência ao desembarque na Baía de Guanabara. Conforme a justificativa do enredo, na época elas eram exterminadas para a extração de óleo, utilizado na iluminação da cidade.

A corte brasileira será apresentada no sexto setor, trazendo o imperador Dom Pedro I, filho de D. João, que se casou com Maria Leopoldina, uma das sobrinhas de Maria Antonieta, e que deu nome a escola. O útlimo setor exaltará a prórpia Imperatriz Leopoldinense, trazendo a coroa imperial, símbolo da escola, os títulos e a comunidade. O destaque do sétimo carro alegórico será Maria Helena, ex-porta bandeira da agremiação, que junto com o filho Chiquinho conquistou a nota máxima em vários carnavais. Ela representará a realeza da agremiação.

Apesar do atraso no barracão, Wágner Araújo acredita que até o dia 31 de janeiro os trabalhos estejam encerrados. A Imperatriz Leopoldinense é a terceira a desfilar na segunda-feira.