Grande Rio põe funcionários para rodopiar em abre-alas

Júlia Moura , JB Online

RIO - A Grande Rio vai trazer novamente este ano, mas não menos inovador, um espetáculo audiovisual para a Sapucaí. Alinhando o que vai ser ouvido com que estará sendo visto, o enredo Do verde de Coari, vem meu gás, Sapucaí se encaixa. Desta forma, os foliões vão poder entender o elemento gás através de um show de acrobacias.

O carro abre-alas terá 31 integrantes rodopiando em bolas de estrutura metálica para contar a criação do universo e átomos em ebulição. Desde novembro, a equipe coordenada pelo coreógrafo Leonardo Senna, da Companhia de Dança Intrépida Trupe, ensaia para arrebentar na avenida.

Para nada dar errado na hora do show e adquirir resistência, os futuros acrobatas treinam três vezes na semana. A equipe, composta por funcionários do barracão da Grande Rio, faxineiros, aderecistas e seguranças, surpreende pela desenvoltura no manuseio do carro-aparelho .

- Eles se mostraram ótimos acrobatas com uma diferença de peso: a paixão pela escola. A vontade de desfilar é tão grande que é um elemento transformador conta Leo, como é chamado por todos dentro da Grande Rio.

O coreógrafo está na escola desde 2001, quando trabalhou com o carnavalesco Joãozinho 30, no enredo Gentileza, o profeta do povo , no qual pela primeira vez um homem voou na Sapucaí. Depois disso voltou a convite do atual carnavalesco Roberto Szanieck..

- Roberto é muito ousado. A maneira como ele concebe o carro é ousada. O carro tem vida diz Leonardo.

Este ano, Leonardo não poderá desfilar. O trabalho de preparo tomou todo seu tempo e exigirá a atenção do coreógrafo na hora do desfile. São 75 pessoas sendo coreografadas por ele, divididas em quatro carros.

- A idéia não é que as pessoas apareçam individualmente e sim no coletivo. Cada alegoria vira um elemento transformador.

A escola de Duque de Caxias fez uma seleção entre os funcionários para saber quem tinha aptidão física, força e resistência segundo o assistente Thiago Merij que estará tomando conta, apertando cordas e conferindo cada posição dos acrobatas na hora do desfile.

- Acho uma coisa certa dar valor a quem faz o Carnaval conta Sidney Filho, 21 anos, aderecista pelo segundo ano consecutivo.

Thiago conta que não teve problemas em treinar pessoas que nunca haviam feito uma acrobacia.

- É tranqüilo. Parece ser muito mais difícil. O que dificulta é o medo. Quando a pessoa supera isso, consegue.

Agora basta esperar o dia que a Grande Rio irá entrar na avenida para conferir as acrobacias.