Estudo aponta que Carnaval não aumenta casos de DST

Júlia Moura, JB Online

RIO - O Carnaval é relacionado para muitos como um período do ano promiscuo, cujo os festejos tem grande apelo sexual. Foi se formando um senso comum de que as doenças sexualmente transmissíveis (DST) estariam relacionadas ao Carnaval. Estudo pioneiro realizado pela Universidade Federal fluminense, contradiz esta afirmativa. O carnaval não influência no aumento das DST.

O estudo realizado pelos médicos Wilma Nancy Campos Arze e Mauro Romero Leal Passos, no período de 1993 a 2005 mostra que as doenças sexualmente transmissíveis estão entre as causas mais freqüentes de procura por serviços de saúde, principalmente nos países em desenvolvimento. No Brasil, estima-se que, a cada ano, surjam 4,4 milhões de novos casos.

Segundo os pesquisadores, a não comprovação estatística dessa relação pode estar fortalecendo a crença de que Carnaval é sinônimo de promiscuidade sexual geral e ignorando o trabalho de produção que está por trás de cada detalhe dessa festa grandiosa.

A relação do Carnaval com as DST explica o fato de as campanhas elaboradas pelo Ministério da Saúde, começarem a ser veiculadas, pela mídia, uma semana antes do carnaval e terminarem logo após, o que tem sido uma constante desde que se iniciaram, em 1995.

- No entanto, se essas campanhas estão no lugar certo e na hora certa, precisaria, igualmente, ser documentada a diminuição de casos, no período imediatamente após o Carnaval. E isto não ocorre - diz Mauro Romero, chefe do Setor de DST da UFF.

Dos 13 anos estudados, o carnaval caiu no mês de fevereiro em 11 deles e, para nenhuma das doenças gonorréia, sífilis e tricomoníase, o estudo observou, nesse centro especializado, um maior número de casos em fevereiro/março/abril, meses imediatamente após o carnaval, incluindo os períodos respectivos de incubação.

Ao contrário, os meses de julho e agosto concentraram o maior número de casos das três doenças.

O estudo conclui ainda, que essas campanhas, para darem bons resultados, devem ser contínuas durante o ano. Do contrário, podem ter como conseqüência, a suposição de que a prevenção é importante nessa época apenas, deixando, assim, a população mais vulnerável às DST em geral, já que as campanhas não se repetem em outras épocas do ano.

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