Beija-Flor aposta no luxo para mostrar que é verdadeiramente campeã

Angélica Paulo e Júlia Moura, JB Online

RIO - Campeã do carnaval 2007 cantando as belezas do continente africano, a Beija-Flor aposta suas fichas em terras brasileiras para repetir o feito em 2008. Com o enredo Macapaba: equinócio solar, viagens fantásticas ao meio do mundo", a azul e branco de Nilópolis espera provar, de uma vez por todas, que sabe apresentar um carnaval que une luxo, beleza e também muita empolgação e samba no pé.

- Queremos mostrar que temos todos os ingredientes para vencer o carnaval. E vamos provar isso na avenida afirmou Fran Sergio, que junto com Laíla, Ubiratan Silva e Alexandre Louzada formam a comissão de carnaval da escola.

A escola também ganhou as páginas dos jornais um mês depois da conquista do campeonato por motivos bem menos alegres. Presidente de honra da Beija-Flor, Anísio Abrahão David foi preso em março pela Operação Hurricane, da Polícia Federal, que investigava um esquema de exploração de jogos ilegais ,principalmente bingos e caça-níqueis.

- Foi um sofrimento que transformamos em vontade de fazer um carnaval muito mais bonito que o do ano passado. Todos querem fazer melhor e é assim que a Beija Flor vai mostrar que a escola é superior a todos os problemas que passamos diz, enfático, Fran Sergio.

O grande trunfo da escola é também sua principal característica. O luxo. E, segundo os quatro carnavalescos, este o item que não vai faltar no desfila da azul e branco. Com um desfile cujas cifras giram em torno dos oito milhões de reais, dinheiro que foi conquistado, segundo os dirigentes da escola, graças às parcerias estabelecidas com o governo do Amapá, shows e ensaios, além da verba disponibilizada pelo presidente de honra.

Com isso, fantasias e carros alegóricos que se amontoam no barracão da agremiação, na Cidade do Samba, primam pela riqueza de detalhes. Tendo Macapá, que no próximo dia quatro completa 250 anos, como enredo, as grandes apostas são as alegorias coloridas e a diversidade de materiais.

- A história do Amapá é muito rica, permite o uso de componentes luxuosos. Ano passado, com o tema África, fiquei mais contido. Queremos mostrar na Sapucaí um Amapá lúdico, que mistura a cultura indígena com a fenícia revela Louzada.

O enredo surgiu no início do ano passado, antes mesmo do carnaval, durante uma palestra de Louzada. Entre os ouvintes, estava o secretário de Turismo do Amapá, que falou sobre o aniversário da capital, Macapá, que completaria 250 anos em 2008. Algum tempo depois, enviou vasto material sobre a cidade para os carnavalescos. Estava, então, definido o tema do próximo desfile da escola.

- Não posso dizer que foi coincidência, porque não acredito nisso, mas o fato do aniversário de 250 anos de Macapá cair justamente no carnaval só fez aumentar a certeza de que o tema seria este revela Louzada.

Depois de conquistado o primeiro lugar no carnaval 2007, a comissão de carnaval começou a pensar no próximo desfile. A pesquisa histórica foi imensa. Histórias curiosas e felizes semelhanças, como o raro beija-flor que só existe em sua fauna, conhecido como Brilho de Fogo , só fizeram aumentar a expectativa de que contar a história do município traria bons frutos à escola. Com isso, as idéias fluíram com mais rapidez, apesar de pequenas divergências sempre surgirem. Mas segundo os próprios carnavalescos, tudo sempre é resolvido com muita conversa.

- Todo mundo dá palpite aqui. Se alguém não gosta de um adereço ou qualquer outra coisa, fala sem vergonha de confessar suas idéias diz Alexandre Louzada.

- Não pode existir vaidade na Beija Flor. Aqui todos têm que aprender a trabalhar em equipe. Escutou algum não gostei disso , respira, pensa se a pessoa tem razão e volta ao trabalho confessa o carnavalesco.

É unânime a opinião de que o respeito e a satisfação de fazer o carnaval é o que impulsiona a escola para um possível título. Todos concordam que a organização é um elemento importantíssimo para o sucesso. Por isso, todo o cronograma foi planejado para que nenhum funcionário se sobrecarregasse.

Coordenadora do setor de adereços, Elizabete Franques, 35 anos, conta que todos trabalham de segunda a sexta, das nove as seis da tarde. Além disso, ninguém precisa dormir no barracão, nem mesmo na reta final dos preparativos.

- Parece até uma fábrica. No final do expediente, toca a sirene e todos vão embora. Nos dias que antecedem o carnaval, temos tempo para nos preparar para o desfile revela.

- O fato de o carnaval ser mais cedo esse ano não nos assustou em nada. Desde junho do ano passado já estabelecemos nossas metas, para não haver correria em função do tempo mais curto. Claro que essa não é a data mais favorável para o desenvolvimento do trabalho, mas com organização e seriedade, tudo dá certo confirma Louzada.

Os funcionários também fazem questão de deixar claro que o movimento noturno do barracão vem dos funcionários terceirizados, que por desenvolverem trabalhos específicos, precisam produzir em horários diferentes da maioria, geralmente de madrugada, quando o local encontra-se vazio.

- Alguns trabalhos, como a confecção da fantasia dos destaques, madrinha da bateria e alguns carros alegóricos têm que ser feitos por empresas especializadas explica Fran Sergio.

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