Zico e ex-craques revivem época de ouro do Fla em envento no Rio

Bruno Pontes, Agência JB

RIO - A noite da última terça-feira foi colorida de vermelho e preto no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. O Palavra de Craque, evento de relacionamento voltado para executivos que, em bate-papos descontraídos, relembram passagens históricas do futebol, retornou ao Rio de Janeiro para homenagear craques da época mais gloriosa do Clube de Regatas do Flamengo.

Com um público de cerca de 180 pessoas, mais do que o esperado pelos organizadores, a noite intitulada "Mengão, a Era de Ouro", foi aberta ao som do hino do clube carioca, cantado pelo grupo 14 Bis. Em seguida o filho do compositor João Nogueira, Diogo, chamou o craque Júnior para fazer um dueto em mais uma música em homenagem ao time campeão do mundo.

Logo após as apresentações musicais que animaram o público presente, os ilustres convidados Zico, Júnior, Raúl Plasmann, Cláudio Adão e Paulo César Caju foram chamados ao palco onde responderam com bom humor e nostalgia às perguntas das centenas de convidados que lotaram o Estrela da Lapa. Mostrando o velho entrosamento que sempre tiveram dentro e fora de campo, os ex-craques reviveram na memória dos saudosos torcedores o que diferenciava o grande time dos anos 80 do Flamengo de hoje.

- Era uma geração de muito talento. Naquele grupo, 80% tinha sido criado dentro da Gávea e quem chegava depois tinha que se adaptar àquele clima. A qualidade fazia a diferença - relembrou Zico, o maior ídolo da nação rubro-negra.

O ex-goleiro Raul Plasmann, que havia decidido encerrar a carreira após ser campeão pelo Cruzeiro, contou que sua contratação pelo Flamengo foi inesperada.

- Eu avisei ao presidente do Cruzeiro que estava me aposentando e fui para casa. Quando ligo a televisão vejo no noticiário que o Flamengo tinha comprado o meu passe. Logo depois o Márcio Braga me ligou e acabou me convencendo a fazer parte daquele time maravilhoso, que na época estava em excursão pela Espanha explicou. .

Já o ex-lateral-esquerdo Júnior arrancou aplausos e risos do público quando, ao contar como foi feita a montagem do time campeão do mundial de 81, provocou o arqui-rival Vasco.

- A montagem do time veio progressivamente, mas acredito que começou mesmo em 78 quando o Rondineli garantiu a nossa vitória em cima do nosso maior cliente brincou, bem-humorado.

Quando perguntados sobre qual jogo havia sido o mais marcante na carreira dos ex-jogadores, todos foram unânimes em apontar como a grande final da Libertadores da América de 1981, disputada contra o Cobreloa, em Montevidéo. Contudo, Zico definiu com apenas uma frase o que todos da mesa pensavam: "Foi o jogo em que a arte venceu a violência".

Em meio aos elogios pela conquista do campeonato turco à frente do Fernebache, time em que o ex-camisa 10 do Flamengo é técnico, Zico respondeu às constantes dúvidas da torcida sobre suas opiniões em relação a atual fase que o time carioca atravessa.

- Eu não acredito que um time como o Flamengo entra em campo apenas por entrar, mas a verdade é que isso tem acontecido nos últimos anos dentro do clube. Não culpo os jogadores, mas sim seus comandantes - alfinetou o ídolo.

Ao final do bate-papo, Zico foi novamente perguntado quanto à possibilidade de algum dia assumir a presidência do rubro-negro, mas preferiu se esquivar de uma resposta concreta, da mesma forma como driblava seus adversários dentro de campo.

- Não digo que dessa água não vou beber, mas hoje eu tenho um projeto a manter, que é continuar apenas como técnico de futebol - afirmou o craque, não descartando porém uma possível volta ao pentacampeão brasileiro, futuramente como técnico.