Fábrica no Chile volta a despejar poluentes

Cinqüenta mil litros de substâncias contaminantes foram despejados ontem num afluente de um rio na região centro-sul do Chile por uma fábrica de celulose que, há duas semanas, foi fechada sob a acusação de poluir gravemente este curso d'água, informaram fontes oficiais.

O ministro chileno do Interior, Belisario Velasco, informou que este novo vazamento ocorreu quando a fábrica de celulose Licancel, da empresa Celco-Arauco Constitución (Celco), derramou os dejetos tóxicos no estuário Lourdes, afluente do rio Mataquito.

Este rio, situado na região do Maule, 260 km ao sul de Santiago, foi gravemente contaminado pelos resíduos despejados por esta fábrica por meio de dois dutos irregulares, segundo os antecedentes da investigação iniciada há duas semanas.

A poluição causou a morte de milhares de peixes, aves e gado, prejudicando a atividade pesqueira da região. O desastre ecológico também é perigoso para a saúde das pessoas porque as águas deste rio são usadas nas lavouras.

Depois de constatada a grave contaminação do rio Mataquito, a companhia demitiu três altos executivos da Licancel, enquanto autoridades ordenaram o fechamento da fábrica por 30 dias. Também foi apresentada uma demanda por desastre ecológico contra a empresa. O governo pediu às autoridades que ampliem o recurso judicial após o novo vazamento.

"Esta situação a considero particularmente grave e instruí o intendente (governador) para que amplie o processo apresentado dias atrás por uma causa similar", disse Velasco.

A fábrica Licancel foi adquirida pela empresa em 1999 e produz 140.000 toneladas de celulose. A Celco, filial do grupo florestal e energético chileno Empresas Copec, enfrentou um problema similar há dois anos quando teve que fechar sua fábrica na cidade de Valdivia, depois que contaminou um santuário da natureza habitado por centenas de cisnes-de-pescoço-negro.

As informações são da AFP.