Brasil fica sem representante em revezamento da tocha de Pequim

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PEQUIM - O Brasil ficou fora do percurso internacional do revezamento da tocha olímpica dos Jogos de Pequim, em 2008. A capital argentina Buenos Aires foi escolhida como representante da América do Sul entre as 20 cidades que fazem parte da rota internacional.

O trajeto da chama da Olimpíada de Pequim foi anunciado nesta quinta-feira e inclui a passagem por Taiwan dentro do revezamento chinês, após uma disputa política com a ilha, considerada pela China uma província rebelde.

O Comitê Olímpico de Taipé disse em comunicado que isso era 'uma tentativa da China de montar a rota do revezamento para que Taiwan fosse incluída no revezamento doméstico, dessa forma obviamente enfraquecendo nosso estado de soberania'.

A rota de 137.000 km e 130 dias, que inclui uma viagem ao topo do Monte Evereste e a passagem pelos cinco continentes, foi divulgada durante cerimônia na capital chinesa.

A tocha será acesa em Olímpia, na Grécia, no dia 25 de março, e segue para Pequim após um revezamento pelo país que deu origem aos Jogos Olímpicos.

Istambul, São Petesburgo, Londres, Paris, San Francisco, Buenos Aires e Camberra são algumas das cidades que receberão a chama no revezamento internacional, antes do retorno à China para a passagem dentro do país.

O partido que governa Taiwan disse na semana passada que não aceitaria uma vaga no revezamento da tocha caso a tocha entrasse ou deixasse a ilha através de China, Hong Kong ou Macau, que são regiões especiais sob administração de Pequim.

A inclusão de Taiwan é muito importante para o governo de Pequim, que considera a ilha uma província rebelde que pode ser reincorpora à força se necessário.

- Nós formalmente decretamos que não podemos aceitar essa rota - disse o presidente do Comitê Olímpico de Taiwan, Tsai Chen-Wei, em entrevista coletiva.

O vice-presidente executivo do Comitê de Organização dos Jogos de Pequim, Jiang Xiaoyu, disse a jornalistas que a postura de Taiwan 'não se enquadrava no espírito olímpico.'

A tocha de Pequim também passará pelo Tibet, que é governado pela China desde os anos 1950.

Antes da Olimpíada de Atenas-2004, o Rio de Janeiro foi a cidade que representou a América do Sul no revezamento da tocha. Na ocasião, a chama olímpica passou pelas mãos de personalidades esportivas como Pelé, Gustavo Kuerten e Ronaldo e por pontos turísticos da cidade como o Pão de Açúcar.