Crítica - ‘Enquanto vivo’: reflexão sobre a morte

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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Dirigido por Emmanuelle Bercot, ‘Enquanto vivo’ (‘De son vivant’) mostra o comportamento de alguns personagens diante de uma situação irremediável: o diagnóstico de um câncer terminal em Benjamin Boltanski (Benoît Magimel). Ao longo das quatro estações de um ano, figuras importantes como a sua dedicada mãe, Crystal (Catherine Deneuve); o determinado médico dr. Eddé (Gabriel A. Sara, que é um oncologista na vida real); a enfermeira Eugénie (Cécile de France) e, principalmente, o próprio Benjamin, precisam lidar com a impactante doença e seus efeitos colaterais, enquanto se preparam para o inevitável.

Um drama ao mesmo tempo sombrio e reconfortante, ‘Enquanto Vivo’ é um filme sobre compreender o que significa morrer enquanto se vive. Para a diretora Emmanuelle Bercot, esse precoce encerramento de uma vida é um assunto delicado que afeta muitas pessoas ao redor do mundo. Ela queria que o filme, que é sobre a morte, fosse um hino à vida. ‘Enquanto vivo’, foi integrante da seleção oficial do Festival de Cannes e exibido no Festival Varilux de Cinema Francês em 2021.

O impacto de uma doença fatal na vida de tantas pessoas na vida real e as muitas questões existenciais que o roteiro levanta também foram pontos que atraíram Benoît Magimel (que faz um professor de teatro) ao papel. Seu personagem se recusa a entregar os pontos e segue em frente, enquanto vai descobrindo realmente o que é viver, quando se sabe que o fim está próximo.

Por sua atuação neste filme, Magimel foi o vencedor do prêmio de ‘Melhor Ator’ no César 2022. Outra brilhante atuação é a de Gabriel A. Sara, oncologista na vida real (que interpreta dr. Eddé, o médico de Benjamin), que dá ainda mais toques de realidade ao filme. Com uma postura afetiva, ele busca dizer sempre a verdade não apenas ao paciente, mas a todos a sua volta, tanto no filme como em sua verdadeira profissão. Já Deneuve está apenas ok, com pouco tempo em cena.

Tudo isso faz de ‘Enquanto vivo’ mais um filme que se presta à reflexão do espectador após sair da sala.

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

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