Crítica - ‘Madrugada em Paris’: um noir contemporâneo que mostra o lado dark da Cidade Luz

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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O drama “Madrugada em Paris” (‘Médecin de nuit’), de Elie Wajeman, estreia nos cinemas brasileiros, depois de passar pelos festivais de Cannes e na última edição do Varilux de Cinema Francês, ambas em 2021. O longa traz o ator Vincent Macaigne (‘A origem do mundo’) no papel de um médico noturno que se depara com uma nova realidade que ele desconhecia.

O longa-metragem se passa num único dia, e a maioria das cenas são noturnas, mostrando uma Paris pouco conhecida do público, mais sombria. O personagem principal, o médico Mickaël Kourtchine (Macaigne), tem muitos problemas pessoais. Seu casamento está em crise e se sente dividido entre a mulher e a amante. Desgastado emocionalmente com o trabalho bastante estressante, pensa se não é o momento de mudar de emprego. Acaba indo atender pacientes viciados, nas madrugadas de Paris, e entra numa rotina de excesso de medicamentos liberados e a participação em um esquema de receitas falsas para ajudar o primo farmacêutico, o que vai colocar sua vida em risco.

Em entrevista ao site ‘Cineuropa’, o diretor Elie Wajeman disse que quis criar ‘uma mistura de film noir com intriga criminosa’. E ao pesquisar sobre esses profissionais, achou que daria um ótimo personagem fictício, e permitiria mostrar a intimidade das pessoas em suas casas, além de uma Paris underground, bem menos conhecida daquela dos pontos turísticos.

Para dar um verniz de veracidade à produção, o diretor se encontrou com profissionais especializados em tráfico de medicamentos; conversou com farmacêuticos sobre meandros da profissão; assistiu a julgamentos de envolvidos com o tráfico de Subutex (o remédio usado pelos viciados); além de ter acompanhado o trabalho dos médicos noturnos.

Tudo isso faz de ‘Madrugada em Paris’ um filme diferente, à beira do documental, que nos mostra uma dura realidade das grandes cidades (a dos viciados, dos sem-teto). Um film noir adulto e contemporâneo, como poucos.

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

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