Filme sobre reencontro entre ator e diretor traz de volta afetos, lembranças e aprendizados

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Foto: Primeiro Plano/divulgação
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Marcelo Sebá é diretor do documentário “Fédro”, que narra o encontro de Reynaldo Gianecchini com o lendário diretor teatral José Celso Martinez Corrêa – 20 anos após o ator ter deixado o Teatro oficina – para a leitura do diálogo Fedro, livro escrito por Platão. No reencontro, eles conversam sobre o Brasil, o teatro, o amor e a vida.

O filme, que marca a estreia em longas de Sebá, é um dos destaques da 45ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que termina na próxima quarta (3).

A leitura do diálogo é o gancho para início do documentário, no qual o afeto e a coragem ressurgem como lembranças, aprendizados e revisões da existência individual e coletiva.

Os dois repassam o texto adaptado pelo diretor teatral, em que as reflexões filosóficas do diálogo entre Sócrates e o jovem Fédro acerca do amor, da beleza e do desejo, suscitam temas para uma verdadeira aula.

José Celso, paulista de Araraquara, é uma das figuras mais importantes do teatro brasileiro.

Com “O Rei da Vela”, o Teatro Oficina, do qual foi um dos fundadores, alcançou grande notoriedade e mudou para sempre o modo de se fazer teatro no Brasil.

Gianecchini fez sua estreia na peça “Cacilda”, dirigida por Corrêa, e em 1999 fez parte do elenco de “Boca de Ouro”, também encenada por ele.

Na entrevista exclusiva com o Jornal do Brasil, Sebá contou que o projeto nasceu do seu desejo de trazer de volta à cena a atriz Dina Sfat (1938-1989).

“Ela foi uma pessoa muito importante na minha formação, na minha construção. E foi também a pessoa que me falou da importância do Zé Celso para a cultura brasileira e o tropicalismo. Eu queria trazê-la de volta de uma forma não convencional, e Fédro tem o espírito dela: libertário, contestador, de resistência. Acho que Dina ficaria mais feliz do que se eu fizesse um documentário especificamente sobre ela, e essa é a razão do retrato dela em cena do filme. A partir desse desejo, eu pensei em um ator mais jovem para fazer a leitura de um texto de teatro em um set de cinema e convidei o Gianecchini. Inicialmente eu não sabia da relação dele com o Zé Celso, soube por ele”, contou Sebá, expressando sua satisfação com a seleção do filme para a Mostra de São Paulo.

“A Mostra não estava nos meus planos mais delirantes. Eu estava focado em fazer o melhor filme que eu conseguisse fazer. Não foi um processo fácil. É um filme que fala de política, LGBTQI+, de amor e desse caos que estamos vivendo, o não uso de verba pública na cultura... Estar na mostra é a validação desse trabalho, é uma felicidade imensa”, comemorou o diretor, revelando que já tem alguns projetos em mente.

“Projeto é o que não falta, tenho vários, três deles estão se tornando mais concretos, mas ainda em desenvolvimento”, concluiu Sebá que, com “Fédro”, concorre no evento paulista na Mostra Brasil – competitiva de novos diretores.

 

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