Diretores de 'Inabitável' falam sobre a participação em Sundance

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Foto: divulgação
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Dirigido por Matheus Farias e Enock Carvalho, “Inabitável” é o único curta-metragem brasileiro na competição do festival americano, o que representa, sem dúvida, um grande tento. O Sundance, criado pelo ator e diretor Robert Redford em 1985, é hoje o maior evento do cinema independente mundial.

Nesta edição 2021 (28/1 a 3/2) e em face da pandemia, o evento será realizado de forma híbrida: em sua maior parte online com algumas exibições presenciais em locais satélites do país.

“Inabitável”, protagonizado pela atriz baiana Luciana Souza (“Bacurau”, “Flores Raras”), narra a história de Marilene, que procura por sua filha Roberta, uma jovem trans que está desaparecida desde que saiu para ir a uma festa. Por meio de uma narrativa fantástica, os diretores retratam de forma poética a violência rotineira do País que mais mata a população LGBTQIA+.

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Inabitável é protagonizado pela atriz baiana Luciana Souza, à direita (Foto: Foto: Gustavo Pessoa/divulgação)

Em entrevista exclusiva para o JORNAL DO BRASIL, os diretores falaram sobre o filme, a importância de debater o tema e o significado da seleção oficial para o festival independente.

Para Farias, a participação no Sundance representa uma conquista gigante: “Ter um filme na competição internacional de curtas-metragens é mais uma excelente oportunidade de projetar o cinema brasileiro, nordestino e pernambucano no maior e mais importante festival de cinema dos Estados Unidos”, comemorou o diretor, complementado por Carvalho: “Esse é o momento em que o filme se abre para um novo público, um público norte-americano grande e muito importante para o cinema mundial”, ressaltou.

Sundance é conhecido por privilegiar títulos com temas sociais, foco na diversidade e criativos, como é o caso de “Inabitável” o que, conforme acredita Farias, pode ter influenciado a seleção.

“O filme é um reflexo do Brasil e do mundo de hoje. Acho que “Inabitável” conseguiu alcançar esse espaço porque nele estão contempladas as ansiedades e as ameaças que tantas pessoas têm vivido nesses últimos tempos. De forma geral, o mundo está compartilhando essa sensação de medo gerado pela violência, discursos de ódio, governos autoritários e extremistas que têm ganhado força... Acho que quando um filme trata dessas questões com sensibilidade, a história se torna universal e isso toca as pessoas”, afirmou o diretor, com a concordância de Carvalho.

“Inabitável” oferece aos estrangeiros esse olhar singular sobre a crise pela qual passa o Brasil. O filme faz isso rebatendo a violência que persegue pessoas trans e negras em nosso país”, enfatizou.

De fato, a exibição no Sundance é mais uma importante vitrine para o debate e discussão do tema. E como salientou Farias, pode ser um fator para mudar esse quadro adverso.

“Acho que “Inabitável” contribui para a discussão de muitos temas bastante pertinentes na contemporaneidade. Acho que nesses tempos tão sombrios, os filmes podem servir não apenas como esse espaço de debate, mas também propor experiências que ofereçam algum tipo de esperança por um tempo e lugar melhores do que o que vivemos hoje”, concluiu Farias que, junto com Carvalho, está desenvolvendo o roteiro do primeiro longa da dupla.

O filme deve se aprofundar na crise que o Brasil vive hoje costurando passado, presente e futuro.



Inabitável é protagonizado pela atriz baiana Luciana Souza, à direita
Matheus Farias e Enock Carvalho, diretores de Inabitável