Ada Luana traz Tchekhov com bolo ao Rio

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Foto: divulgação
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Como o rock nos anos 1980, o teatro pulsa em Brasília com sangue novo injetado por artistas egressos da UnB e da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Raramente, porém, consegue se fazer assistir pelos espectadores do Sudeste. Parece até que o Centro Oeste fica na Rússia. Brincadeira à parte, a dificuldade de itinerância de espetáculos de artes cênicas Brasil adentro torna ainda mais especial a primeira vez da companhia candanga Setor de Áreas Isoladas no Rio.

A vinda do grupo, viabilizada pelo Fundo de Apoio à Cultura do DF, marca a reabertura da Casa Quintal, na Lapa, com sessões únicas, grátis, de sexta-feira a domingo, de "A Moscou! Um palimpsesto", livremente inspirada em Anton Tchekhov. Diretora, atriz e dramaturga, Ada Luana aproximou o clássico "As três irmãs" de dilemas deste século 21 em que recalques e castrações emocionais resistem ao tempo, "em que danço eu/dança você/na na dança da solidão", como define o magistral Paulinho da Viola.

 

Macaque in the trees
Já são quatro anos em cartaz (Foto: Diego Bresani)

 

Já são quatro anos em cartaz. Ada divide o palco com Ana Paula Braga, Camila Meskell, Filipe Togawa (piano), Kalley Serraine (violino) e Taís Felippe. "Muita coisa mudou na compreensão do texto, porque, quem poderia imaginar tantos acontecimentos vertiginosos no Brasil e no planeta? Tudo repercute diretamente na encenação. São quatro anos de apresentações, sempre enfatizando a ideia de'palimpsesto', retirar camadas desse clássico e evidenciar novas possibilidades. Um clássico que resiste ao tempo e fala da importância de resistir", conta. As sessões são para 20 pessoas. Ingresso grátis mediante contato com o número 21 99717-1207.

 

Macaque in the trees
Integrantes da Cia em Nova York (Foto: Foto: divulgação)

 

O melhor vem agora. No Rio, a peça será especialmente adaptada para o incomum teatro da Casa Quintal. "Faremos um site-specific utilizando mobiliário de lá, servindo bolo e chá ao público, além de algumas cenas acontecerem na área externa da casa", diz. A última vez que foi apresentada em sessão presencial foi em Nova York no On Women Festival, pouco antes da decretação da pandemia mundial. O festival joga luz em mulheres criadoras que fazem a diferença.

Doutoranda em artes cênicas pela Universidade de Brasília, mestre em estudos teatrais pela Universidade Sorbonne Nouvelle Paris III e bacharel em interpretação teatral pela Universidade de Brasília, Ada é co-fundadora da companhia brasiliense Setor de Áreas Isoladas onde foi co-criadora da trilogia "Estudos sobre a Violência", formada pelos espetáculos: "Vialenta" (2008), "Terapia de Ris(c)o" (2009) e "Qualquer coisa eu como um ovo" (2012).

Louca por calopsita, chegou a ter participação especial de pássaros treinados no início. A calopsita virou marca da programação visual, inclusive. Atualmente prepara o projeto de uma trilogia tchekhoviana, dedicando-se a um novo espetáculo, baseado no texto "A Gaivota". Como pesquisadora seu interesse encontra-se em investigar as técnicas do sistema Stanislavski e a prática de viewpoints, temas nos quais se aprofundou com sua pesquisa de mestrado em Paris e através de formações realizadas no Stella Adler Studio of Acting em Nova York e no treinamento intensivo em Viewpoints com a SITI Company e Anne Bogart em Lima – Peru. Além disso desenvolve sua tese de doutorado pesquisando o trabalho de mulheres escritoras de palco e o teatro como lugar de cura e empoderamento feminino.

As sessões são às sextas, às 20h30,



Ada Luana
Integrantes da Cia em Nova York
Já são quatro anos em cartaz


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