IV Festival Bach do Rio de Janeiro e a Paixão Segundo São João (1724)

A Cia Bachiana Brasileira resgata a série dos Festivais Bach do Rio de Janeiro, agora em sua IV edição, com uma das grandes obras-primas da história da música. A gravação foi realizada na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no dia 18 de abril, no Centro do Rio

Foto: Diego Padilha
Credit...Foto: Diego Padilha

Após sua criação pela Cia. Bachiana em 2007 e reedição nos anos de 2008 e 2009, o Festival Bach do Rio de Janeiro lança agora a sua IV edição, apresentando a gravação no Brasil de uma das grandes obras-primas desse gênio da história da música, toda legendada em português ao longo de suas duas horas de duração: a Paixão Segundo São João, de Bach, para orquestra, coro e sete solistas. O Concerto foi realizado no dia 18 de abril, em plena pandemia, seguindo todos os protocolos de segurança, na histórica e emblemática Catedral do Império, a Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé. O lançamento oficial acontecerá no sábado (7), no Canal do YouTube da Cia Bachiana Brasileira.

A Cia. Bachiana Brasileira foi criada em 1999. Desde então, desenvolve projetos com repertório, elenco e tempo de realização definidos para cada produção, buscando, de forma disciplinada e perseverante, uma sonoridade própria na execução da música de concerto, nacional e estrangeira. A direção e a regência são do seu fundador e criador, maestro Ricardo Rocha. O alto padrão de qualidade com que executa do colonial brasileiro e barroco europeu à música contemporânea, explica a posição ímpar que a Cia. Bachiana ocupa hoje no cenário musical brasileiro, como atesta o Prêmio de Cultura do Estado do RJ na categoria Música Erudita, recebido em 2009, com concertos entre os 10 melhores do ano pelo "O Globo" (2007, 2008, 2011), entre outras distinções.

Diz o maestro Ricardo Rocha:

“Esta Johannes Passion é uma das grandes obras-primas de Bach e da história da Música. Estreada na Sexta-feira Santa de 1724, surge aqui no Brasil em vídeo legendado em português, quase 300 anos depois de seu nascimento. Sua montagem foi uma verdadeira via crucis, uma saga em meio a essa pandemia mundial, com obstáculos que se opunham de forma quase insolúvel a cada dia. Ensaios remotos com grupos de até 3 a 4 cantores por causa do delay, doenças, desistências, pânico, três mudanças de datas em função da decretação de lockdowns na cidade que nos levaram a perdas importantes de instrumentistas e solistas. No madrigal de apoio, perdemos 10 dos 16 cantores que havíamos ensaiado. Também perdemos músicos vindos de São Paulo, que chegaram para o ensaio à noite, mas que tiveram que retornar no dia seguinte devido a novo lockdown, gerando perda financeira e de serviços. No entanto, o imponderável nos mantinha: aos poucos, passamos a reconhecer o milagre do florescimento, pois que tudo o que se perdia era-nos oferecido de outra maneira, melhor e com uma medida mais justa e adequada às necessidades reais da montagem. Era, portanto, uma montagem viva, marcada para ser levada a termo aqui ao sul do Equador, com cores e perfume próprios. A noite, antes do ensaio geral, foi uma das mais tensas vividas, na apreensão sobre os testes obrigatórios de Covid, visto que bastava um resultado positivo ou mesmo falso positivo para quebrar todo edifício da nossa enxuta produção. Felizmente tivemos 100% de resultados negativos e ninguém foi infectado. Então, coloque sua tela cheia, diminua a luz, aumente o som e prepare-se para assistir esse incrível drama que mudou o curso da Humanidade”.

A Paixão Segundo São João

Narrador: - Evangelista, Giovanni Tristacci, tenor

Solistas: - Marcelo Coutinho, barítono, Jesus e árias de baixo

- Ossiandro Brito, árias para tenor

- Lino Ramos, contratenor, árias para contralto

- Ana Cecília Rebelo, soprano, ária “Zerfliesse mein Herze”

- Laila Wazen, soprano, ária “Von den Stricken meiner Sùnde”

- Pilatos, Pedro: Cyrano Moreno Sales, barítono

Principais solistas instrumentais: Flauta 1, Rubem Schuenck; Oboé 1, Jorge Postel; Fagote, Felipe Destéfano; Violino 1, Wagner Rodrigues; Violino 2, Yuri Reis; Violoncelo 1, Emília Valova; Órgão: Benedito Rosa

Execução: Cia. Bachiana Brasileira, Orquestra e Coros Principal e de Apoio

Direção Musical e Regência: Ricardo Rocha

Ficha Técnica:

Direção Geral: Ricardo Rocha

Produção: Vicente Barros, Stage One

Assistente: Rafaela Marsico

Fotos: Diego Padilha

Engenharia de áudio e edição: Sérgio Lima Netto – Studio Araras

Gravação do vídeo: Toca Vídeos

YouTube da Cia Bachiana Brasileira

O espetáculo foi viabilizado pela Lei Aldir Blanc através da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.