75 anos de João Bosco

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Como diz um verso de letra primorosa (como todas) de Aldir Blanc, metrificado na medida para o talento musical do velho parceiro de tantas canções, João Bosco mora dentro da casca do seu violão. Ou melhor, mais apropriado, João é o próprio violão, com ou sem casca, pois sempre nos deu a impressão de que o instrumento, que ele domina como poucos, faz parte do seu corpo, músculo ou osso plantado no peito e acompanhando o remanso do braço.

Mineiro de Ponte Nova, onde nasceu no frio de julho de 1946 (neste dia 13), João Bosco deu os primeiros pulos e ensaiou os primeiros acordes ainda nas Gerais, em Ouro Preto, quando tentava ser estudante universitário exemplar. O exemplo durou até conhecer o poeta carioca Aldir – uma das vítimas dessa pandemia que o nosso desgoverno só faz piorar.

No começo dos anos de 1970 João chegou no Rio de Janeiro. Se espalhou, sempre ao lado de Aldir, pelos bares e sinucas da Tijuca ou pela redação do semanário O Pasquim, em Copacabana, jornal que lançava, naqueles dias, uma série de discos de bolso (nos moldes do compacto simples, assunto para quem tem mais de 60 anos). O letrista e o melodista encaixaram uma obra prima chamada Agnus sei, o primeiro sucesso de uma dupla musical como poucas que já se viu na MPB.

Depois de construir obra monumental com a grife Bosco & Blanc – Miss Suéter, Rancho da goiabada, Kid Cavaquinho, De frente pro crime, O bêbado e a equilibrista, entre tantas – João Bosco teve outros casamentos musicais (Capinam, Abel Silva, Antônio Cícero, Wally Salomão e o filho Francisco Bosco, por exemplo) e voltou a compor também com Blanc, retomando a batida e a pegada.

O homem é assim: com quem quer que se junte para embaralhar as inspirações, vai sair coisa boa. Isto porque João é música em estado íntegro, com ou sem palavras.