Sundance começa com mensagem da nova diretora

Pela primeira vez, devido à pandemia, o evento é realizado no formato híbrido

Foto: Sundance Institute.
Credit...Foto: Sundance Institute.

O Festival de Sundance teve início nessa quinta (28) com uma coletiva para a imprensa horas antes da abertura, com Tabitha Jackson, nova diretora do evento, Keri Putnam, CEO do Sundance Institute, e Gina Duncan, diretora de Produção, que fez a moderação. 

Pela primeira vez, devido à pandemia, o evento é realizado no formato híbrido: online e com poucas exibições presenciais em locais predeterminados dos EUA.

Após as boas vindas, Tabitha disse que planejou "um festival imersivo, mas que valorizasse a presença de um filme individual”, acrescentando seu desejo de que todos recriassem a imaginação do local onde o evento sempre foi realizado como, por exemplo, o agito e a sensação de andar pela Main Street, principal rua de Park City.

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Nanfu Wang, diretora de In the Same Breath (Foto: Foto: Sundance Institute)

“Foi uma resposta singular para um ano singular, mas em sua essência, o festival é um retrato de nossos valores mais duradouros”, afirmou com a concordância de Keri. “Pensamos em um festival que seria digital, mas que manteria a nossa energia e a nossa essência”, ressaltou.

Após abertura festiva disponibilizada para o público, Sundance deu início à exibição dos títulos escolhidos (Day One, como eles chamam) das mostras competitivas e fora de concurso.

Um dos primeiros foi “In the Same Breath”, selecionado para a Première, sessão paralela criada para expor a diversidade do cinema independente contemporâneo, através do trabalho de diretores internacionais.

O filme, realizado por Nanfu Wang, era um dos mais aguardados, não só pelo prestígio da diretora – após o sucesso de “Born in China”, Grande Prêmio do Júri na edição 2019 do Sundance – mas também pelo tema enfocado.

“In the Same Breath” relata a origem e a propagação do novo coronavírus desde os primeiros dias do surto em Wuhan até sua chegada aos Estados Unidos.

Em uma abordagem profundamente pessoal, Wang – que nasceu na China e mora nos Estados Unidos – coloca em primeiro plano um fator crucial: a desinformação.

O documentário que traz o toque habitual da cineasta inicia a narrativa com as comemorações do Ano Novo Chinês de 2020, expressando como os fogos de artificio podem ter obscurecido a presença da pandemia se espalhando por todo o país. A máquina de informação de ambos os países opera quase da mesma maneira, minimizando a ameaça, enquanto ignora as ramificações reais de hospitais superlotados e suprimentos diminuídos.

Por fim, deixa a conclusão de que, enquanto o mundo tenta voltar à estabilidade, as autoridades ainda podem esconder a verdade, e muitas pessoas certamente aceitarão isso sem questionar.

Após a projeção na Q&A com a diretora, Wang disse que “as mídias sociais oferecem uma plataforma que acaba sendo o único lugar onde os indivíduos podem se expressar e falar sobre coisas que não concordam”, acrescentando que houve a preocupação dos realizadores com as pessoas que deram seu testemunho no sentido de protegê-las.

“Tentamos expô-las o mínimo possível para evitar eventuais problemas futuros”, concluiu.

O Sundance prossegue até o dia 3. Nesta sexta será a estreia do brasileiro “A Nuvem Rosa”, de Iuli Gerbase, que compete na mostra Cinema Mundial. Realizado bem antes do contexto da pandemia, é sobre uma nuvem tóxica que invade a Terra e obriga todos a ficarem confinados.



Cena de In the Same Breath
Nanfu Wang, diretora de In the Same Breath