Diretor de 'Vil Má' fala sobre sua volta à Berlinale

Em 2018, o cineasta Gustavo Vinagre participou da Fórum da Berlinale com “A Rosa Azul de Novalis”. Nesta 70ª edição do festival, ele retornou com “Vil má”, na mesma mostra Fórum, da vez passada. Em entrevista ao JB, o diretor – muito satisfeito por um filme seu retornar a Berlim – falou sobre a motivação para realizar “Vil Má” e os resultados que espera dessa seleção.

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O filme Vil Má é inspirado na vida de Wilma Azevedo, que escrevia contos eróticos sadomasoquistas nos anos 1970 e 1980 (Foto: Divulgação)

“Estou muito feliz, é a segunda vez consecutiva na mostra Fórum, e sinto que meus filmes são muito bem acolhidos em Berlim. Num período tão conservador mundial e do Brasil, acho importante não fazer concessões artísticas e a Fórum acredita e abraça esse tipo de arte”, ressaltou Vinagre revelando o que o motivou a realizar “Vil má".  A motivação veio da minha completa admiração pela Wilma Azevedo, uma mulher que se orgulha de sua sexualidade e, aos 80 anos de idade, deu a cara a tapa escrevendo contos eróticos sadomasoquistas nos anos 1970 e 1980”, contou o diretor.

Ele explicou que o filme é uma continuação direta do seu primeiro curta-metragem. “Filme para poeta cego” já era uma investigação sobre sadomasoquismo, e as forças de poder entre diretor e personagem, entre real e ficção. São dois filmes sobre fantasia e trabalho literário”.

Vinagre contou que conheceu Wilma justamente numa sessão desse curta anterior, no festival Mix Brasil. “Ela vestia veludo azul e saltos altos, me pegou pelo braço e disse: 'preciso lhe contar minha vida, sou amiga do Glauco Mattoso (o personagem do 'Filme para poeta cego')'. Ela então me contou sua vida, e fiquei hipnotizado. Como se não bastasse, me mostrou um dos sonetos de Glauco dedicado a ela, 'A Wilma Azevedo', e um dos versos me fez ter a certeza da clarividência do poeta cego, bem como a certeza de que eu faria 'Vil, má'".

Vinagre está bastante otimista quanto aos resultados para o filme em Berlim, e também com os demais espectadores mundo afora. “Os alemães são muito carinhosos e abertos à diversidade. É um povo que já passou pelo fascismo que estamos vivendo no Brasil atual, e sabe que é necessário ouvir o outro. A Wilma fala bastante durante o filme, e tenho certeza de que cada uma de suas palavras será escutada”, afirmou o engajado diretor que já tem uma significativa trajetória de participações e prêmios em festivais nacionais e internacionais.