Pedalando e tocando

Seguindo o calçadão de Copacabana até o Arpoador, pianista se apresenta com instrumento em bicicleta

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Na direção dada por Fernando Brant, de que “todo artista tem que ir aonde o povo está”, como diz seu letra para a melodia de Milton Nascimento, o pianista Leandro Parisi segue neste sábado com seu instrumento pelo calçadão da Avenida Atlântica, margeando a Praia de Copacabana e seguindo até a Pedra do Arpoador, no roteiro que vem fazendo regularmente desde o ano passado.

Com a ajuda de amigos, o músico, de 25 anos, conseguiu acoplar à bicicleta o instrumento, cuja mobilidade normalmente é limitada pela maior dificuldade de ele ser transportado, devido ao tamanho e ao peso. Assim, surgiu o Piano.Bike de Leandro Parisi, inspirado por referências que ele conheceu entre 2012 e 2013.

No primeiro ano, durante uma viagem pela Europa, ele se impressionou com a profusão de artistas tocando na rua, o que então era pouco comum por aqui – a prática acabaria se tornando mais popular com a aprovação de uma lei municipal também datada de 2012, que permitiu as apresentações em espaços públicos.

No ano seguinte, a ideia, já mais formatada em sua cabeça, “surgiu ao começar a ver em 2013 o movimento das ‘foodbikes’ acontecendo no Brasil”, como lembra Leandro.

“Assim visualizei a possibilidade de colocar o piano sobre uma bicicleta”, conta o músico, que também pesquisou outras experiências do tipo, em especial do americano Gary Skaggs, que começara a acoplar piano e bicicleta em 2006, em San Francisco, na Califórnia.

O desenvolvimento do Piano.Bike de Leandro contou com o auxílio luxuoso de amigo, entre os quais Rodrigo Villas, do studio Vila, de São Paulo, especializado em restauração e customização de bicicletas. Diversas adaptações foram necessárias para se chegar a um modelo viável do híbrido.

“Levou mais ou menos um ano, foi o tempo necessário para executar o projeto. As maiores dificuldades foram conseguir achar o equilíbrio necessário para o piano, uma vez que, por ser muito pesado ele faz muito peso na parte frontal da bicicleta”, explica Leandro, que utiliza um instrumento menor do que o clássico. “Ele tem cinco oitavas, quando o habitual tem oito”, referindo aos intervalos com todos os semitons da escala. Dessa forma, o piano que ele utiliza te menos teclas, sendo mais estreito e, portanto, menor. O piano também não tem pedais, afinal ele tem que usar os da bike.

Com formação erudita, tendo começado a estudar aos oito anos, e se iniciando no piano aos 15, Leandro Parisi faz um repertório variado nas apresentações que faz em suas – uma no Posto 6, em frente ao Forte de Copacabana, e outra no Arpoador. “Tenho formação clássica, mas toco um pouco tudo: rock, MPB, trilhas sonoras de filmes”, afirma.

Em movimento, ele executa “músicas mais simples”, como “Billie Jean”, de Michael Jackson, e “Love me two times”, do The Doors. “São músicas que consigo tocar com uma mão só”, explica o músico, que usa a outra para guiar a bike. Essa limitação é mais uma que pode ser superada, entretanto. O próximo passo da adaptação, é “estruturar um aparato pelo qual eu consiga guiar [a bicicleta] com as costas”, afirma Leandro, que divulga as apresentações no site https://piano.bike, além de páginas do Piano.Bike nas redes sociais, como Facebook e Instagram (instagram.com/piano.bike).



Leandro Parisi toca seu Piano.Bike ao lado da estátua de Tom Jobim, no Arpoador - uma das paradas de seu roteiros
Instrumento foi reduzido, em relação ao tamanho padrão, para poder ser acoplado à bicicleta
O mestre João Donato experimenta o Piano.Bike