Desde bebê em cena

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Foi uma vida inteira dedicada ao palco. Filha do ator Procópio Ferreira e da bailarina espanhola Aída Izquierdo, Bibi entrou em cena com menos de um mês de vida para substituir uma boneca, que desaparecera, na montagem de "Manhãs de sol", do padrinho Oduvaldo Vianna. Com a separação dos pais, foi viver com a mãe, que se integrou a uma companhia de teatro de revista da Espanha. Até os quatro anos, só se comunicava em espanhol. Veio a aprender o português e a admirar a ópera depois, com o pai. Em sua volta ao Brasil, passou a se dedicar ao balé na escola de dança do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde foi aluna de Maria Olenewa. Aos nove anos, se viu impedida de estudar no tradicional Colégio Sion, no Cosme Velho, por ser lha de artistas, mas conseguiu concluir o secundário no Colégio Anglo-Americano e fazer cursos em Londres. Em 1936, integrou o elenco do lme "Cidade Mulher", de Humberto Mauro, em que canta o samba "Na Bahia", de Noel Rosa e José Maria de Abreu.

Sua estreia profissional foi com a peça "La locandiera" (1941), de Carlo Goldoni, como Mirandolina. Em 1944, abriu a sua própria companhia, reunindo nomes que se tornariam a nata do nosso teatro, a exemplo de Cacilda Becker, Maria Della Costa, Henriette Morineau e Sérgio Cardoso. Bibi também foi uma das primeiras diretoras de teatro no Brasil. Depois das turnês pelo país com suas produções e de atuar no cinema, inaugurou a TV Excelsior em 1960, como apresentadora do programa "Brasil 60" e, anos depois, na mesma emissora, em "Bibi sempre aos domingos". Em 1968, comandou na igualmente extinta Tupi o musical "Bibi ao vivo", com a orquestra do Maestro Cipó e coreógrafa as de Nino Giovanetti no auditório da Urca. Consagrou-se atuando, cantando e dançando nos anos 1960 nos musicais "Minha querida dama" (versão brasileira de "My fair lady"), de Frederich Loewe e Alan Jay Lerner, ao lado de Paulo Autran e Jayme Costa, e "Alô Dolly" (Hello Dolly!), com desempenhos irrepreensíveis. Nos anos 1970, dirigiu "Brasileiro, Pro ssão: Esperança", (1970) de Paulo Pontes e Oduvaldo Vianna Filho, primeiro com Ítalo Rossi e Maria Bethânia e, em seguida, em uma produção maior e de enorme sucesso com Paulo Gracindo e Clara Nunes, no Canecão.

Fez "O homem de la Mancha" (1972), contracenando com Paulo Autran e Grande Otelo, com texto traduzido por Paulo Pontes e o diretor Flávio Rangel, que teve as versões das canções assinadas por Chico Buarque e Ruy Guerra. Em 1975, recebeu o Prêmio Molière pela comovente atuação como Joana, no musical "Gota d'água", adaptação da tragédia "Medeia", de Eurípedes, pelo marido Paulo Pontes e o compositor Chico Buarque. Assinou a direção de "Deus lhe pague", de Joracy Camargo, estrelado por Marília Pêra, Marco Nanini e Walmor Chagas e grande elenco, e shows de Maria Bethânia. Há 35 anos, Bibi foi aclamada por "Piaf - A vida de uma estrela", com uma interpretação considerada "mediúnica" por muitos, foi aplaudida por mais de um milhão de espectadores, no Brasil e na Europa, e recebeu praticamente todos os prêmios por este trabalho: Molière, Mambembe, Associação Paulista dos Críticos de Arte, Governador do Estado e Pirandello.

Ainda interpretou a fadista Amália Rodrigues, brilhou nos recitais "Bibi in concert" e "Bibi in concert pop", e cantou sucessos de Frank Sinatra, acompanhada por orquestra. Em 2007, voltou aos palcos com "Às favas com os escrúpulos", com texto de Juca de Oliveira e direção de Jô Soares. Aos 95, fez a turnê de despedida com "Bibi - Por toda minha vida", espetáculo de música brasileira. Ela deixou um disco inédito gravado, intitulado "Bibi canta Sinatra", que ainda não tem data de lançamento.



Bibi Ferreira dirigiu alguns shows da cantora Maria Bethania
A atriz brilhou como Joana em "Gota d'água" (1975), de Paulo Pontes e Chico Buarque
Em 1973, no papel de Dulcineia, ao lado de Paulo Autran e Grande Otelo, em "O Homem de La Mancha"