Pag. 30 - Palcos em descompasso

Aventura entretenimento, também destaca o profissionalismo que encontra em são paulo.

– os técnicos são maravilhosos, talvez devido à concorrência mais acirrada – aposta. – mas a verdade é que os espetáculos do charles e do claudio fazem ótimas temporadas em qualquer lugar.

Aniela não deixa de tecer loas ao rio de janeiro.

– o rio ainda é a capital cultural do país – opina. – em são paulo, há um público forte do interior que busca títulos mais conhecidos. é natural. além disso, a propaganda boca a boca funciona melhor no rio, até por causa do gigantismo da outra cidade.

O despertar da primavera foi bem em são paulo, mas melhor ainda no rio.

Beth goulart viveu uma situação inusitada com o monólogo simplesmente eu, clarice lispector : apresentou simultaneamente, ao longo de meses, a montagem no rio de janeiro e em são paulo. às terças e quartas, ficava em cartaz no teatro sesi, no rio; de sexta a domingo, no centro cultural banco do brasil, em são paulo. fizeram dois cenários iguais para não terem que transportar um único de um lado para o outro. a atriz não percebe um descompasso considerável entre as duas cidades.

– normalmente, o público de são paulo tende a gostar mais de textos sólidos e o do rio, de comédias – observa a atriz. – mas tive uma receptividade muito boa em todos os lugares em que apresentei esse trabalho. credito essa recepção à força da literatura de clarice.

Encenação também calcada num texto consistente, in on it , de daniel macivor, contou com produções diferentes no rio e em são paulo.

– a recepção no rio foi a melhor possível – garante o produtor rossini freitas, acerca da montagem dirigida por enrique diaz, com fernando eiras e emilio de mello, que ficou em cartaz durante quatro continua na página seguinte. ‘hairspray’ – o musical grandioso passou pelas duas capitais.