Pag. 29 - Palcos em descompasso

Daniel schenker h á um mistério insondável entre rio de janeiro e são paulo. espetáculos que fazem boa carreira numa cidade nem sempre encontram receptividade tão calorosa na outra. cada capital tem seus gostos e tendências, dizem, com considerável frequência. nem tudo é mito, nem tudo é verdade. na tentativa de detectar especificidades das temporadas teatrais, a carioca e a paulistana, cabe trazer à tona a carreira desenvolvida por espetáculos de portes e propostas variados nas duas cidades.

À frente de espetáculos grandiosos, como os musicais hairspray e a gaiola das loucas (que segue em cartaz em são paulo até março), miguel falabella não tem dúvidas em relação ao seu diagnóstico.

– são paulo é bem melhor para o teatro – atesta o ator e diretor. – os paulistanos têm muito mais público e poder aquisitivo. o rio de janeiro encolheu. há poucos espaços teatrais. ficamos relegados às lojas adaptadas.

Falabella não esconde uma ponta de nostalgia em relação ao que considera um passado carioca culturalmente mais efervescente.

– peguei a época dos grandes verões do rio – evoca, trazendo à tona a bem-sucedida campanha das kombis, que vendia ingressos a preços mais baratos em diversos pontos da cidade, hoje substituída por outra iniciativa, a teatro para todos, da aptr (associação de produtores teatrais do rio de janeiro).

Para falabella, a defasagem entre as duas cidades não é recente.

– até louro, alto, solteiro, procura... , um grande êxito no rio, conseguiu se sair melhor em são paulo – garante.

À frente da produção de musicais da dupla charles möeller e claudio botelho, aniela jordan, da produtora continua na página seguinte. camus – guilherme leme no monólogo ‘o estrangeiro’, montagem que repercutiu melhor em são paulo.