Pag. 37 - Não precisa ENTENDER

Tado para um ambiente de sonho, deixa-se de ser apenas um mero observador.

As obras de grande tiveram como ponto de partida a arquitetura específica do centro cultural. a artista criou as instalações buscando fazer uma união simétrica entre arquitetura e corpo.

– a arquitetura da casa frança-brasil não pode ser comparada a nenhum outro lugar da cidade– opina laura. – e eu brinquei com isso na terceira obra. em baixo , o espectador precisará se agachar para entrar na sala rebaixada, tirando-o da posição de conforto, obrigando-o a se mexer, a procurar, a d e s c o b r i r.

No espaço, a cerca de 60 centímetros do chão, encontram-se pessoas, oprimidas “como nós mesmos”, especifica laura. para erradicar as ideias de perfeição humana, laura usa pessoas não tão “perfeitas” assim, mas com corpos os mais diversos.

– nós temos essa ilusão de que temos que ser perfeitos atualmente – critica laura. – mas ao entrar nessa sala o público pode mudar um pouco de ideia. ele se verá pressionado pelas paredes, uma metáfora para as pressões da sociedade que sofremos diariamente. os artistas ali presentes mostram imperfeições como todos nós.

Primeiro passe pelo mágico, depois pelo o casal e, em seguida, pelo quarto apertado: este é o roteiro imaginado (que não precisa ser necessariamente seguido) pela artista. o ciclo se fecha com escolha – a carta na manga que o mágico não tem, e laura deixa guardada até o último minuto.

– a última obra refere-se ao interesse das pessoas, elas entram se quiserem, se tiverem curiosidade – explica laura. – trata-se de uma sala completamente escura, com um ar-condicionado bem gelado, tudo transmitindo um efeito que nos deixa um pouco sem a noção do espaço, já que não enxergamos nada.

Quem ficar um tempinho na sala pode se deparar com uma surpresa.

Para quem ficou curioso, a exposição está em cartaz até 20 de fevereiro convidando o público a apreciar uma nova forma de arte contemporânea – que absolutamente não precisa ser entendida.