O Homem-TV

Dependente de programas televisivos era pouco discutida. essa produção está crescendo a passos largos agora. no ano passado, tivemos 34 pilotos inscritos. esse ano, foram 50.

E que mudança isso representa para a nossa tv? – isso mostra algo muito importante. se pudesse definir em uma palavra, seria ‘diversificação’. a tv brasileira, historicamente, é muito concentradora. na verdade, temos três ou quatro polos produtores de conteúdo. mas a tv não é pensada só nesses polos, é também nas menores produtoras, que têm a possibilidade de trazer conteúdos inovadores. alguns dos programas-pilotos que exibimos na mostra são feitos com uma verba considerável, porém, outros, são quase caseiros. mesmo assim, é possível perceber que, ali atrás, há um pensamento.

A sedimentação da mostra de pilotos, vindos de todo país, é uma das grandes conquistas no festival.

Ainda há preconceito contra a nossa televisão? – sim! a tv sempre foi vista como um veículo menor, indigno de ser estudado, como se fosse algo efêmero. mas a tv está no dna do brasileiro, então é preciso levá-la a sério, estudá-la. a televisão é muito demonizada, há muitos teóricos que nunca entraram em um estúdio e já detestam o veículo.

Como o ietv nasceu? – há nove anos, alguns rapazes da usp vieram fazer uma entrevista comigo e ficamos horas conversando sobre meus programas (nelson já dirigiu programas jornalísticos na extinta rede manchete e no sbt, e outros muitos na bandeirantes, no gnt, na tv cultura, no canal brasil e na tve do rio). no final, os estudantes comentaram que, geralmente, quem faz tv, não pensa tv, e vice-versa. daí, tive a ideia de promover o encontro entre quem pensa e quem faz tv.

O que foi discutido de mais importante esse ano? – nos encontros de 2010 batemos na tecla da colocação do produto e o conhecimento das novas plataformas. hoje, a tv se ramificou muito, não existem só os canais abertos, mas também os fechados e pela web. este ano tivemos uma mesa sobre a migração da web para a tv e outra sobre a possibilidade de se criar uma tv voltada para o conhecimento. não um veículo educativo, mas algo utópico. acredito que é preciso olhar para as utopias para se guiar em direção a um objetivo e não se acomodar com o que existe. tem gente que diz que “a tv não tem jeito”. a descentralização da produção, por exemplo, já está acontecendo. a ideia de um conteúdo massificado está sendo enterrada, por.