Um êxito globalizado

Macksen Luiz A ndrew Loyd Weber, autor do musical Cats , é uma máquina de produzir sucessos do gênero, um verdadeiro mago na alquimia de misturar ingredientes para transformar aquilo que cria em êxito.

E, quando o público sanciona um espetáculo, não há razões para contestá-lo.

Cats é um fenômeno de bilheteria mundial, apesar de ser tão inglês na sua origem, e continua a atrair plateias, quase três décadas depois de sua estreia em Londres.

São números de uma estatística inflacionada crescentemente pelas sucessivas montagens que a franquia do musical espalha pelo globo.

A atual importação, que pode ser vista até domingo no Vivo Rio, no Flamengo, segue o caderno de encargos da produção original, dirigida por Trevor Nunn.

Nada se desvia do que foi concebido há anos pela equipe inglesa, e tudo tem que sair, exatamente, como foi pensado cenicamente quando Weber adaptou os 14 poemas do livro infantil Old possum’s book of pratical cats , do poeta americano T.S.Eliot.

A dificuldade é encontrar, nas várias partes do mundo, um elenco que reproduza, mimeticamente, aquilo que foi concebido na versão mater.

O que se assiste no Brasil não foge em nenhum ponto daquilo que se viu na Inglaterra, já que nada mudou, apenas se constata que os atores-cantores-bailarinos locais conseguem a mesma eficiente técnica dos que estrearam o musical há tantos anos.

Até mesmo os tipos se aproximam dos originais.

Esse desenvolvimento dos atores brasileiros em cumprir as exigências de um gênero que até há pouco tinha pouca ressonância por aqui é um avanço considerável.

No palco e na plateia, nota-se a aclimatação dos musicais à sensibilidade de atuação nacional e na aceitação do público.

Cats provoca essas interpretações, com seu modelo pronto para usar, do palco à plateia, e nos seus efeitos espetaculosos de muita fumaça e fogos de artifício, de canção que o espectador ouviu e cantarolou tantas vezes e na féerie de som e luz.

São esses efeitos, mais do que qualquer outra coisa, que os poemas musicados em torno de felinos de nomes esdrúxulos para nossos ouvidos (Deuteromy, Munkustrap, Rumpleteazer e Skimbleshanks) chegam até nós com invólucro de estranheza e distância cultural.

É longo o percurso, em especial para o tradutor que enfrenta um desafio nada fácil.

Toquinho recriou em português o que foi escrito em inglês, numa brava transcrição em que apela para menção ao Alto Leblon e Alto da Gávea e para os nomes de atores brasileiros na tentativa de diminuir as peculiaridades de gramática poética tão anglo-saxã.

Com quadros que foram construídos para “levantar a plateia”, na maioria as cenas se estiolam em coreografias um tanto longas e “exibicionistas” e em canções nem sempre marcantes.

A habilidade de Loyd Weber em encontrar uma música cujo tema seja sonoramente atraente, neste caso a tocadíssima Memory , estabelece o clímax necessário à resposta do público.

Tudo funciona como o previsto.

Desde Londres, passando pela Broadway, fazendo escalas em 20 países, a montagem chega ao Aterro do Flamengo com a mesma integridade com que foi desenhada há 30 anos.

A escolha do público é soberana e deve ser respeitada como a maior e definitiva garantia de que um musical é sucesso.

É este o caso de Cats , um êxito globalizado..