Mais do mesmo

Filipe Quintans E le é mais resistente que o Super-Homem, mais difícil de morrer que Jason Vorhees em Sexta-feira 13 e, provavelmente, já lutou mais pela própria sobrevivência que John Rambo.

Harry Potter, tal e qual outros personagens de séries cinematográficas, chega ao sétimo filme e pode muito bem, dado o apetite de sua criadora e dos produtores da série, passar do oitavo, tomar uma reta e chegar ao vigésimo.

E, acredite, um batalhão de fãs ficaria feliz caso isso acontecesse.

Fãs, editores e comerciantes de todo e qualquer tipo de tralha com a cara do personagem.

As relíquias da morte – parte um , por incrível que pareça, não é dos mais detestáveis filmes da série.

Há na direção de David Yates apreço pela narrativa e por bem cuidadas sequências de ação.

Harry, Hermione e Rony, os três jovens em torno de quem o mal cisca ferozmente, estão crescidos, sexualmente maduros e menos tolos.

Voldemort, o diabão sem nariz, e seu exército de Comensais da Morte(?), seguem firmes no propósito de exterminar os três, a começar por Harry.

Amparado num time de medalhões do cinema inglês – Ralph Fiennes, para citar um –, computação gráfica de primeira e roteiro cegamente fiel ao original da criadora do personagem, JK Rowling, dificilmente um diretor pode fazer bobagem e bagunçar a saga.

Daniel Radcliffe, mantido como protagonista em todos os filmes, não importa quem o dirija, continua um ator ruim que só precisa fazer uma coisa: fingir sensatez e tenacidade.

Seus coadjuvantes fazem o mesmo, e tudo segue normalmente.

Para quem nunca ousou pisar num cinema para assistir aos outros seis filmes, este novo não fará o mínimo sentido.

É justo afirmar que o formato é o mesmo – bruxo precisa destruir o mal, mal tenta destruir bruxo –, os penduricalhos – personagens de nomes criativos, varinhas, livros, medalhões e demais – é que mudaram com o passar dos anos.

Como a vida é longa e cheia de coisas mais importantes que se debruçar sobre uma série de filmes seja lá qual – James Bond , Senhor dos anéis etc.

– cabe dizer que Harry Potter mudou.

E continua o mesmo..