Caleidoscópio de uma cultura

de volta ao crucificado . A narrativa começa na época da Segunda Guerra Mundial, quando, para salvar o filho da perseguição nazista, seus pais o deixaram aos cuidados de um padre, para ser criado por uma família cristã, com quem viveu até os 14 anos. Jaques relata suas dúvidas entre o cristianismo, religião adotada pelo casal que cuidou dele durante a guerra, e o judaísmo de sua família de origem. A sessão de autógrafos foi prestigiada pelo curador da Fliporto, e editor do livro pela Carpe Diem, Antônio Campos. No domingo, a programação da Casa Brasil na Fliporto começou com o lançamento do livro D’Eça (Nabuco, Gilberto) e d’Outros , de Dagoberto Carvalho Jr., pela Fliporto Editorial, e a palestra Artes gráficas na cultura judaica , de Daniel Azulay. Na palestra, Azulay falou sobre os cartunistas e humoristas judeus que admira e que o influenciaram, como Saul Steinberg, da revista New Yorker , e Albert “Al” Hirschfeld ,além de ícones do cinema como os irmãos Marx e Woody Allen. Na segunda, a Casa Brasil recebeu a delegação do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Presidência da República, em uma cerimônia em que diversas entidades, incluindo a Fliporto, Fundação Gilberto Freyre, Academia Pernambucana de Letras e o Jornal do Brasil , assinaram um protocolo de intenções em favor da Campanha Nacional da Acessibilidade. O programa foi encerrado com o debate Os judeus no Nordeste e a visão de Gilberto Freyre , com o historiador Leonardo Dantas Silva e o pesquisador Cesar Sobreira. A mediação foi de Gilberto Freyre Neto, que enfatizou a importância de se discutirem as teses do avô que, muitas vezes, sofreram avaliações duras sem o contexto de época. Leonardo Dantas abordou aspectos normalmente pouco ressaltados da colonização judaica e de cristãos novos no Nordeste. Para ele, poucos até hoje estudaram o tema com foco na verdade histórica. Mencionou personagens como Bento Teixeira, autor da primeira obra poética produzida no Brasil a ser impressa – o poema épico A prosopopeia , escrita em Pernambuco, entre 1585 e 1594, e publicada em Lisboa em 1601; o também cristão-novo Ambrósio Fernandes Brandão, que em 1618 escreveu o livro Diálogos das grandezas do Brasil , um dos mais importantes relatos sobre a flora, fauna, paisagem e vida social e econômica das capitanias do Norte; além de Isaac Amoab, nascido em Portugal e criado em terras brasileiras, fundador da primeira sinagoga de Amsterdã. Caesar Sobreira, autor do livro O Nordeste semita , vencedor do concurso Nacional de Ensaios do Prêmio Gilberto Freyre, fez uma defesa enfática do autor de Casa grande e senzala . Para ele, Freyre “dominava a palavra com volúpia”, não havendo preconceito na sua forma de expressão a respeito dos judeus. Dantas arrematou o debate explicando que os textos de Freyre não podem ser contextualizados conforme o pensamento de nossa época, e sim, com aquele de quando foram escritos, na década de 20, antes de as ideias nazistas ganharam força na Europa.