Diálogos entre o Ocidente e o Oriente

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Antônio Campos

Os diálogos entre o Oci- dente e o Oriente re- montam à antiguida- de e até mesmo antecedem o momento em que palavras co- mo “oriente”,“ocidente” e “diálogos”são inventadase passam a se tornar correntes nasteorias enosvocabulá- rios, principalmente ociden- tais, a esse respeito. Quem se volta parao século19, por exemplo, tem umrico painel disso tudo. Mas é inegável que no sé- culo 21esses diálogosga- nhamcontextos econtornos tanto mais ricos quanto ins- tigantes, não só em decorrên- cia das profundas modifica- ções geopolíticase econômi- cas, masnos aspectoscultu- rais subjacentes. De qual Oriente e de qual Ocidente se fala no século 21? Assimmesmo nosingu- lar, ouas pluralidadese si- multaneidades jásuperam as uniformidades? Ea cha- mada globalizaçãoacen- tuouainda maisasparticu- laridades regionais? Por essas e outras, perce- be-se facilmente como a pa- lavra “diálogos”neste caso não pode ser dissociada das questões que evoca e provo- ca. Várias são recentes, mui- tas recorrentes, e outras tan- tas permanentes, desde que o mundo é mundo, desde que a humanidade é a humani- dade e cuida de construir suasreferências, poisnão há como negar também o as- pecto de construção mental de ocidentese orientes, mesmopara quemnãote- nhalido umalinhasequer de Edward Said. O quepensa esente oOci- dente a respeitodo Oriente pode tornar mais fáceis ou maisdifíceis taisdiálogos. Mas isso éum caminho de mão dupla. Tem provado a his- tória. Das Cruzadas à Primei- ra Guerra Mundial. O diálogo, no entanto, estimula algo que suplanta as diferenças, apon- ta para a convergência e o en- tendimento. te do Ocidente, cada vez mais dialoga com assuas equiva- lentes no Oriente,e no Ex- tremo Oriente. E a constante abertura aodiálogo éuma das características mais mar- cantes do seu povo. A palavra“encontro”, em sua densa ambiguidade, vem mostrando a todosos que se interessam pelo diálogo Oci- dente/Orientecomo otema vai muito além do chamado conflito decivilizações, que ainda tem sua voga, mas que, crescentemente, tem-se obrigado a conviver com o seu oposto,num mundoque já nãopode pregarhegemo- niase eixosmaniqueístas sem constrangimento. Paraalém doslivrosjá clássicos quetrataram ora da decadência do Ocidente ora do Oriente,novos estu- dosdenovos autores,nori- quíssimocenário dacultu- ra,da economiae dapolí- tica naatualidade têmen- sejadoa pensadores,inte- lectuais, escritores e a todos os “espíritos livres” novos e fascinantes desafios. O Oriente há muito não per- tence ao universo mental eu- ropeu. Na era das multilate- ralidades, os velhos cânones econcepções sãosuplanta- dosa cadadia,eisto seve- rifica cada vez, por exemplo, que um estudioso se debruça sobrea descolonização,ou queumescritor alançano complexo reino da sua ima- ginação e a discute como algo vivo, pulsante. O poeta árabe Adonis disse que “ Oriente e o Ocidente só existem na geografia. No Oci- dente há orientes mais orien- tais queno próprioOriente. Não hádiferença entream- bos, salvogeograficamente. O humanoé o queme inte- ressa”. É umadas perspecti- vas possíveis. O que tudo issotem a ver com romances, contos, poe- mas e ensaios no Brasil e ou- tras partesno novocenário que o mundo (se) desenha é o que vai mostrar a Festa Lite- rária Internacional de Per- nambuco em 2011.

Fliporto do ano que vem vai discutir de que maneira os escritores tratam este tema no século 21

Pensar e agir dialogando, e queesses diálogoscontri- buam para tornar ocidentes e orientes mais próximos – sem imposições,obviamen- te, de parte a parte – é o que os escritores vêm fazendo ao longo do tempo. Num saudá- vel jogo de influências, sem angústias. O Brasil, potência emergen-