A verdade da ficção

Alvaro Costa e Silva

Uma das mara- vilhas do mundo é que, como nas me- lhores bibliotecas, ele sem- pre reserva extraordinárias surpresas”, diz o escritor ar- gentino radicado no Cana- dá Alberto Manguel, encan- tado diante dasladeiras e casarões coloniais de Olin- da,cidade quevisitapela primeira vez porconta de suaparticipação naFlipor- to.Hoje, às10h,Manguel faz a conferência

Ler o livro do mundo

. Nesta entrevista, ele fala sobre sua mais recente obra lançada no Brasil, o ro- mance

Todos oshomenssão mentirosos

, em que discute a verdade da ficção.

‘Todos oshomens são mentirosos’ foi publica- do em 2008. Mas é um pro- jeto antigo, não?

–Imaginei ahistóriahá mais de 20 anos, quando já vivia no Canadá. Um ami- go, Graeme Gibson, me contou o casode dois es- critores presos em um dos cárceres de Fidel Castro. Umdeles conseguiufugir e se exilou em Miami, onde publicou umlivro muito elogiado, que teve o apoio de institutosde direitos humanos,como oAnistia Internacional. Pouco tem- po depois o escritor que ha- via permanecido preso em Cubamorreu. Aviúvaen- tão revelou que o autor da- quele livro era na verdade seu marido. Ela possuía al- gumas cartas que compro- vavam isso. O fato me in- trigou: por que alguém roubaria a imaginação de outro?

A partirde entãoo ro- mance engrenou?

–Comecei aescrevê-lo em inglês, que é minha primeira língua. Mas ele não me saía. A história se passavano Canadá,e acho que oCanadá é um país muito “civilizado” para situaruma trama dessas. Há cinco anos, re- tomei o livro, escrevendo em castelhano e situan- do-oem Madri,durante osúltimos anosdadita- dura franquista.Aí, en- tão, tudo funcionou.

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MANGUEL

– “Por que alguém r oubaria a imaginação de outro?”