O abraço ELÉTRICO do Oficina

– Achoa épocade hojeextraor- dinária – declara. – Adoro as trans- formações na ciência, na política, na arte. Estamos saindo das trevas, da idade mídia e indo em direção ao renascimento paralutar contra coisas absurdas, como a guerra do narcotráfico que os americanos in- ventaram paracontinuar venden- do armamentos. É um tabu no qual não se toca. Zé Celso não hesita em abordar com franqueza a polêmica das drogas. –O crackécomo dengue,como Aids. É uma doença – compara. – A polícia não tem nada a ver com isso. Maconha é remédio. E cocaína tem seus problemas. Não é boa para tea- troporque desenvolveo ego.Os atoresfalam altoeperdem avoz. Mas foi bom para Freud. Sou contra a proibição. Há uma tomada de posição eviden- tenasdeclarações deJoséCelso Martinez Corrêa. – Frances Farmer acabou sendo lobotomizada. Foiprofessora de Marilyn Monroe, amiga de Stanis- lavski.Masa mãequeriaqueela se integrassea Hollywoode ain- ternou – sublinha, lembrando a im- portância de manteruma postura de resistência. Uma postura própria a um ence- nador que at ravessou vá rias fases: começoumontando seuspróprios textos autobiográficos(

A incuba- d e i ra

e

Vento forte para papagaio su- bir

), passando pela dramaturgia americana (

A vida impressa em dó- lar

, deCliford Odets) erussa (

Os pequenos burgueses

e

Os inimigos

, deGorki) epelafase dedicadaa Bertolt Brecht (

Galileu Galilei

e

Na selva das cidades

). Empreendeuum grandeesforço de reconstrução do teatro sob novas bases,quando marcouoposição frontal à ditadura militar. Partiu pa- rao exílio,desembarcando emPor- tugal durantea Revoluçãodos Cra- voseem Moçambique.Nosanos80 ficou conhecido comoo decano do ócio, até reabrir o Oficina, rebatiza- do de Uzyna Uzona, com a monta- gem de

Ham-let

, na primeira metade da década de 90. Sonha agora com a concretização do projetodo Teatro Estádio. – Estou com 73 anos. Sinto o eterno presente de tudo – observa. – A me- mória não servepara cultuar, mas para usufruir, devorar. É um acervo inesgotável de riquezas. Responsável pelo monumental

Os sertões

, versão teatral do livro homô- nimode EuclidesdaCunha queso- ma 27 horas divididas em cinco par- tes, José CelsoMartinez Corrêa mantéminalterada acuriosidade pelo novo. –Querofazer cursodemétrica. Atingir a carne da palavra, o não dito na palavra – anuncia.