Mais um esteriotipado filme de verão

Daniel Schenker

Muita calmanessa hora

evidencia uma tentativade Felipe Joffilyde enfileirar elementos próprios a um es- tereotipado filme de verão: abordagem despretensiosa de conflitos afetivos, am- bientação numa locação pa- radisíaca (Búzios, no caso), escalação de atores em dia com aacademia deginás- tica (a maioria) e registro de humor televisivo. Em parceria com Marcelo Brasil (fotografia), o diretor investe numtratamento es- tético publicitário,ainda que,vez poroutra,procure disfarçar esse vínculo atra- vés de certo tom de paródia, marcadamente nas passa- gens que evocam

Menino do Rio

, música deCaetano Ve- loso. Seja como for, ao longo da projeção, os excessos pre- dominam – principalmente noque dizrespeito àover- dose na trilha sonora (de An- dré Moraes) ena quantida- de de closes nos atores. Ainterpretação deboa parte do elenco segue a li- nha do naturalismo banal. Andreia Horta,Debora Lamm,Fernanda Souzae Gianne Albertoni ficam encarregadas deconferir credibilidade àsamigas que procuram dar guina- das em suas vidas durante um fim desemana: uma buscaum namorado,aou- tra afirma querer distân- cia e há ainda quem decida desvendar umimbróglio familiar. Osatores (Lucio MauroFilho, MarceloAd- net, Nelson Freitas) repro- duzem composições bas- tante próximas do que cos- tumam apresentar na TV. O roteiro (de Bruno Maz- zeo, João Avelino e Rosana Ferrão) émuito poucoins- pirado,extraindo graçare- duzidadas situaçõescoti- dianas que acumula. Depois de

Ódiquê?

(2004), Felipe Joffily segue mirando no pú- blico jovem, mas

Muita cal- ma nessa hora

não promove avanços, ao contrário de fil- mes como

Houve uma vez dois verões

(2002), de Jorge Furtado, e

Antes que o mun- do acabe

(2009), de Ana Lui- za Azevedo.

NA PRAIA– Fer nanda Souza, Gianne Albertoni e Andreia Horta na pele de três amigas que querem dar uma guinada em suas vidas num fim de semana