A correspondência entre realidade e FICÇÃO

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Macksen Luiz

Rodrigo No gueir a, autor e dir e - tor de

P onto de fuga

, em cartaz no T eatr o Gláucio Gill, em Co - paca bana, tr ata seus te xtos, sejam pes - soais ou de encomenda, como

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, e s- sencialmente como uma questão de linguagem. Ao e xplor ar f ormas narr a - ti v as, ou modos de desarrumá-las, Ro - drigo integ r a cotidiano ger acional a uma dr amatur gia que pr ocur a se f az er como cena, e xplicar -se na sua própria feitur a no palco . Essa apr opriação dos meios e xpr essi v os que o teatr o f ornece, se tr ansf orma em material, eles mes - mos, na sei v a da ação . Em

P onto de fuga

não é difer ente. Uma v ez mais, e ainda com maior se - gur ança, esta belece diálo go entr e dois núcleos dr amáticos. Um, que pr ojeta pr osaico almoço dominical de casal com uma amiga, e outr o , com os con - flitos de per sonagem-músico em peça teatr al. Os liames que se criam como corr espondência entr e a r ealidade e a ficção r esultam na ár ea e xplor atória em que na v ega o autor . O som ruidoso que compõe a sinf onia cer e br al que atormenta a m ulher que participa do almoço ao lado do marido e da amiga, nada mais é do que a r essonância das angústias do músico-per sonagem, que mer gulha em sono inesgotáv el par a que possa sonhar . O som, portanto , é m uito mais do que música. É a pos - sibilidade de sentir a vida atr a vés do onírico , de filtrá-la pela pala vr a tea - tr al. Na pr ocur a da língua que apr o - xime os dois m undos, a memória dos pr o vérbios de uma a vó se confunde com as e v entuais semelhanças de ori - gem e sonoridade, do português com o caribenho papiamento . Na música, com suas v ariações, da partida do si - lêncio do que f alta ainda compor à e xecução n unca terminada n u m s a - r au pianístico , são per seguidos os pontos de fuga, o da c hegada, o do final que se conclui no teatr o . Es- pectador a (“eu só sinto no palco”) e per sonagem (“eu só ouço no sonho”) terminam a partitur a vital com o de- salento de que as pala vr as não al- cançam a g r andeza dos sentimentos ou da f alta deles. Numa montagem despojada, Rodri - go No gueir a conduz o elenco com a justeza com que cada ator r e v este seu per sonagem. Lilian Ro v aris imprime humor ácido às pausas bem sacadas. Luisa F riese, inquietante como a si - lenciosa empr egada, se e xpande na f alante irmã. Lucas Gouvêa cria a pon - te identitária entr e as atitudes or di - nárias do marido e do gar oto de pr o g r ama. Mic hel Blois pr ojeta o escapismo da e xistência par alela do compositor . Cristina Flor es mar ca com intensidade contida e tensão interiorizada a m ulher sem impr essões digitais.

DESPOJAMENTO

– Dir etor conduz o elenco com a justeza com que cada ator r eveste seu personagem.