Faltou dar o salto

CRÍTICA

| ‘A gar ota do biquíni ver melho’

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Faltou dar

AOs m usicais bio g rá - ficos, que se torna - r am fr equentes na cena carioca nas duas últimas décadas, se ali - mentam da riqueza da pr odu - ção dos bio g r af ados e de sua po - pularidade, o que os torna atr aentes e inter essantes pela ati v ação que pr o v ocam na me - mória e r eferências do público .

A garota do biquíni vermelho

, te xto teatr al de estr eia do jor - nalista Artur Xe xéo , em cartaz no T eatr o Ginástico , no Centr o , tem a comediante e v edete So - nia Mamede como centr o da ce - na, mas tanto sua vida quanto sua figur a artística se diluem e se mostr am menos intensas do que se supõe possív el de ser em tr ansf ormadas em uma peça. A per sonagem, cuja carr eir a se distribui por participações em r e vistas, c hanc hadas e pr o- g r amas humorísticos de TV , deixou lembr anças, algumas, poucas, aos mais madur os, pe- los tipos que inter pr etou. Sem uma carr eir a mar cante e vida pessoal que acr escente algo r e - le v ante à sua ati vidade no pal- co , Sonia Mamede se torna um nome difícil como objeto de dr amatur gia. O autor que constrói seu te xto com a a r- rumação corr eta dos quadr os e constrói fio narr ati v o defla- g r ador da tr ama r epr oduz mo- mentos da carr eir a, captur an- do os tipos e enquadr ando-os n u ma cr onolo gia da vida. Xe- xéo e vita julgar ou até mesmo comentar o que a artista r e - pr esentou, r estringindo-se a ser r e v e r ente, como um admi- r ador elegante. F alta dar o “salto” par a que aquilo que par ece carência, se tr ansf or- me em material dr amático vi- v o . P ar a além da pesquisa, há as r ecor dações, que, se ti v e s- sem sido mais e xplor adas, tal- v ez pudessem dar maior fôle- go às impr essões da época do sucesso de Sonia que, como cr onista, Xe xéo tão bem r e s- salta em seus escritos. A d i- r eção de Marília Pêr a acentua o r egistr o quase mimético da atriz que inter pr eta a v edete, não esta belecendo atmosfer a que en v olv a r essonâncias de seu tempo . As per sonalidades que con vi v e r a m com a come- diante são apr esentadas de modo um tanto caricatur al, e o que poderia ser atribuído ao “espírito do período” é ape- nas uma citação f ar sesca, o que e xplicaria a pr esença sem justificati v a do saltitante bai- larino. A f alta de uma ambientação tempor al se tr ansfer e par a a “ine xistência” de ceno g r a- fia, que por demais despoja- da e asséptica, deixa o quadr o sem cor nem brilho . A ilumi- nação pouco contribui par a maior pigmentação da cena. A penas os figurinos color em a montagem, mas a quantidade deles somente pr o v oca a cons- tatação de que há r oupas de- mais, e cenários de menos. A maioria das músicas f az parte do r epertório da carr eir a e da vida de Sonia Mamede, com o acréscimo de duas outr as ori- ginais, letr a e música de Artur Xe xéo , que r e v elam suas boas per specti v as autor ais nesta outr a estr eia. Do elenco , Manoel F r ancisco tem participação que pode ser consider ada in usitada. T a ti P asquali e T her eza Ama y o têm inter v enções discr etas. Ricca Barr os vi v e algumas figur as co- nhecidas com cor es e xcessi v as. Regiane Alv es fica pr esa à imi- tação na pr osódia e nos núme- r os m usicais e humorísticos de Sonia Mamede, ao contrário de dar à per sonagem inter pr eta- ção que escape do “r ealismo”. Karin Roepk e, em papel secun- dário , é a melhor r e v elação do elenco , com br ejeirice, humor e boa v oz, uma atriz v ocaciona- da par a o m usical.

o “salto”

Espetáculo r ever ente à vedete Sonia Mamede car ece de material dramático mais vivoDivulgação

MIMESE

– Regiane e Rica Bar r os