gestos poéticos

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CRÍTICA

| Fragmentos do desejo

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Gestos

Cia Dos à Deux apr esenta har mônico jogo gestual a par tir da sensualidade

A dupla Artur Ribeir o e André Curti, da Cia Dos à Deux, cir- culando entr e a F r ança e o Br asil há mais de uma década, situa seu tr a balho na ár ea do “teatr o ges- tual”, em que o mo vimento ganha dimensão poética, e sem que se f aça uso da pala vr a. No silêncio da mímica, que substitui a v oz pela sonoridade sur da do dese- nho do gesto , captur am sentimen- tos que r epr oduz em como qua- dr os vi v os. Na pen umbr a de uma luz mortiça, qual sombr as que ameaçam engolir toda e qualquer possibilidade de r edenção e l i- ber dade, a companhia desta v ez dr amatiza a e xpr essão do desejo . Nesta figur ação onírica, feita em fr agmentos de tempo , da infância ao desapar ecimento da ascendên - cia, se in v estiga por imagens a sen - sualidade interferida por julga - mentos sociais. A e xacerbação da figur a ambígua de um t r a v esti, que se apr esenta em sho w , no qual am - plia a sua dualidade homem-m u - lher , r e v ela a sua angústia por entr e brilhos e figurinos pomposos que acentuam o contr aste de luz e som - br a. Com narr ati v a que e xplor a de -

sejos, mais ou menos r ecônditos, Ribeir o e Curti criam imaginário visual ligado ao “e xibicionismo” do efeito , talv ez pela necessidade d e r e p r o duzir uma certa estética deste gêner o de espetáculo . O que se estende aos demais elementos da montagem, como o c hapéu-escul - tur a da cena do v elório , ou das “ca - beças” usadas pela criada. Um tanto

kitsch

nos ader eços ceno g ráficos e na concepção dr a- mática,

F r agmentos do desejo

man - tém a intensidade interior da Cia Dos à Deux pelo m utismo da más- car a do ator e a conjugação de técnicas (da manipulação de bo- necos ao mala barismo cir cense) , que se alternam na medida das necessidades dr amáticas, r esul- tando em harmônico jo go gestual. Mesmo o ritmo pausado das cenas, que e videncia r elati v o apelo ao vir - tuosismo , não interfer e na mate - mática pr ecisão do quarteto de ato - r es – M a y a Bor k er , Matias Che bel, André Curti e Artur Ribeir o –, que, com emoção , empr esta seus cor pos elásticos e mo vimentos mar cados à poesia da cena.

Divulgação

PRECISÃO

– André Cur ti e Ar tur Ribeir o (atrás): corpos elásticos

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