Stand Up Book

CRÍTICA |

TEA TRO | TUDO QUE EU QUERIA TE DIZER

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‘Stand-up book’

Divulgação

CUMPLICIDADE

– Ana Beatriz Nogueira alter na-se em vários tipos, ar rancando gener osas risadas do público

Macksen Luiz

Martha Medeir os, a autor a do li vr o

T udo o que eu queria te dizer

, tr ansf ormado em monó - lo go em cartaz do Centr o Cul - tur al dos Corr eios, esta belece fecunda r elação com o leitor , que consome seus escritos co - mo se f ossem artigos de pri - meir a necessidade. A identi - dade que se cria entr e autor a e público , em sua g r ande maio - ria feminino , pode ser encon - tr ada na linguagem que sen - sibiliza e xperiências partilha - das e r eper cute vi vências co - leti v as de senso com um. Mar - tha f ala dir etamente com seus leitor es, atinge pontos certei - r os, cria liames identitários, que se e xpandem na sua r e - cepção . Esse adesismo e fide - lidade têm sido apr o v eitados pelo teatr o , que, fr equente - mente, le v a aos palcos, adap - tados ou na ínteg r a, te xtos da cr onista que quase sempr e al - cançam, neste outr o v eículo e xpr essi v o , igual r eper cussão . É, um v ez mais, o caso desta seleção de cartas sobr e os mais v ariados sentimentos de m u - lher es, de idades difer entes, solidões bem ou mal adminis - tr adas e se xualidade menos ou mais e xpansi v a. Mantidas em cena em f orma epistolar , com a atriz sem des- viar o olhar da plateia, e nenhum cenário , a m ontagem, assinada pelo ar gentino V ictor Gar cia P e - r alta, r ef orça a ligação que os te xtos de Martha pr o v ocam na maioria de quem os lê. Ao eli- minar qualquer enfeite ou ade- r eço , o dir etor se concentr a na atriz, sobr e quem r ecai a r e s- ponsa bilidade de dar vida às pa- la vr as escritas, e r ecriar a e m- patia que, sem dúvida, se man- tém no no v o meio . Sem ceno g r afia, apenas uma cadeir a e banqueta em que estão depositadas duas garr af as de água e caixa de lenços de papel, mais úteis do que a ser viço da estética, o palco é iluminado com pr ecisa alternância de f ocos par a cada uma das cartas. No mais, apenas se cumpr em as a v aliações de pr odução que conduzir am a este espetáculo: r eplicar na cena o sucesso no papel. Não é sem r azão que ao final Ana Beatriz No gueir a define bem o espírito da montagem: um

stand-up book

. P e r- feito . E boa parte da acolhida da plateia às cartas que f or am se - lecionadas par a ser em “lidas” pe - la intér pr ete, se de v e a Ana Bea - triz No gueir a, que sozinha em ce - na e v estida de pr eto , como a moldur a sem cor que a en v olv e, alterna-se em vários tipos, arr an - cando gener osas risadas do pú - blico . Completa-se, desde modo , o cir cuito identidade leitor -cr onis - ta, tr ansferência li vr o-palco . T udo m uito simples, n um teatr o de en - contr os e semelhanças, sem con - flitos ou per calços.

Espetáculo mantém no palco a r elação de intimidade de Mar tha Medeir os com seus leitor es