Uma carreira desconcertante

-->Novo e pesado filme do americano T odd Solondz, ‘A vida durante a guer ra’ confir ma acidez e crítica fer oz à sociedade americana que mar cam seu trabalho-->Myrna Brandão-->ESPECIAL P ARA O JORNAL DO BRASIL-->O dir etor americano T od d So - londz não é lá m uito afeito a ame - nidades. F ilmes como -->Bem-vindo à casa de bonecas -->(1995) e -->Felicidade -->(1988) já aponta v am clar amente par a a temática que nortearia sua carr eir a, car acterizada por uma vi - são pessimista do ser humano e permeada por ácidas e pesadas críticas à cultur a americana con - temporânea. -->A vida dur ante a guer - ra -->– com sessões hoje, às 15h e 21h30, no Estação Botaf o go – se - gue a mesma linha. O filme acompanha três irmãs – J o y (Shir le y Hander son), que aca - ba de se separ ar do marido , Helen (All y Sheed y), uma f amosa e so - litária r oteirista de Holl yw ood, e T rish (Alison J anne y), di v or ciada do marido pedófilo – e como elas lidam com laços sanguíneos, a bu - sos se xuais, medo e solidão . Com bom desempenho do elen - co , Solondz v ai e videnciando as r azões e os conflitos de cada per - sonagem em torno de um dr ama f amiliar específico e, em alguns momentos, de dr amas coleti v os. – Na vida social e f amiliar , a questão é sa ber como per doar e esquecer – declar a o dir etor de 50 anos, dur ante entr e vista em No v a Y o r k. – A c h o que isso so- mente é possív el com confiança, mas como sa ber quando é pos- sív el confiar em alguém? Numa história narr ada n um tom de humor depr essi v o e n uma ir onia por v ez es desconcertante, elementos também pr esentes na obr a do dir etor , o filme r etoma as disfunções de alguns per sona- gens de -->Felicidade -->e a cr ença americana de que, par a ser feliz, é impr escindív el ser f amoso e ter sucesso . De um filme par a outr o , Solondz r ealiz ou estr anhas m u --->danças como a de Allen, o p er- v ertido namor ado de uma das irmãs, que no primeir o filme er a vi vido pelo ator br anco Philip Se ymour Hoffman e agor a pelo neg r o Mic hael K. W illiams. – Quando comecei a escr e v er , queria estar li vr e par a criar . P or isso , esper o que entendam o filme mais como uma espécie de se - quência do que um r etorno às si - tuações de -->Felicidade -->– ad v erte Solondz. – É a f orma como eu v eria aqueles ser es humanos 10 anos depois. Quis e xplor ar mais a vida de per sonagens que me como v e - r am por alguma r azão , m udando a cor da pele, a idade, o se xo e até os ator es que os inter pr etam. Solondz não nega que seu ci- nema é feito par a incomodar . Uma afirmação que não casa m uito bem com sua figur a tímida e ligeir amente ner d que, con- f orme tem r epetido , quer ir mais longe nas pr o v ocações que co- loca nas telas. – Eu não costumo intelectua - lizar demais as coisas, mas sem dúvida -->A vida dur ante a guerr a -->é uma obr a r efle xi v a – ponder a o cineasta. – A e xemplo de dir etor es mais talentosos do que eu, como Godar d, também gosto que meus filmes pr o v oquem polêmica. Ao ganhar pr ojeção interna- cional após conquistar o Gr ande Prêmio do Júri no Sundance 1996, com o sombrio -->Bem-vindo à casa de bonecas -->, Solondz fez na- quele ano uma declar ação quase pr ofética ao -->J ornal do Brasil -->. – Neste momento , não tenho e x - pectati v as quanto à m inha carr ei - r a, mas apenas m uitas esper anças. Entr e elas conseguir manter coe - rência no meu tr a balho – declar ou o dir etor , que de f ato v em con - seguindo manter uma inconfun - dív el assinatur a em seus filmes.-->carreiradesconcertante-->Divulgação-->HUMOR DEPRESSIVO – Obra pessimista do cineasta é exibida hoje no Estação Botafogo