NADA EXTRAVAGANTE

-->O que o cineasta ar gentino Daniel Bur man gosta é de histórias comuns, ricas e belas, como a do sucesso ‘Dois ir mãos’-->Carlos Helí de Almeida-->Quem já assistiu a alguns de seus filmes certamente per ce beu: Daniel Burman não gosta de his- tórias mir a bolantes ou per sona- gens e xt r a v agantes. – T ipos e xcêntricos me a borr e - cem pr ofundamente. Quando al - guém c hega e começa a me contar algo como: “Há um filme tailandês m uito inter essante, sobr e um ar - tista que usa os testículos par a pin - tar”, já morri de tédio no meio da fr ase – z omba o jo v em dir etor de 37 anos, que está na cidade par a acompanhar a e xibição de -->Dois ir - mãos -->, seu no v o tr a balho , no F es - ti v al do Rio – o filme ainda será e xibido quarta-feir a, às 12h15 e 23h30, no Espaço de Cinema. O filme, que c hega ao cir cuito na próxima se xta-feir a, descr e v e a complicada r elação de mútua dependência entr e dois irmãos de meia-idade e solitários. Mais uma v ez, o autor de -->Abr aço partido -->(2003), sobr e um r apaz que busca notícias do pai, e -->Ninho v azio -->(2008), sobr e um casal em crise após a partida dos filhos, de bru- ça-se sobr e o cotidiano de gente com um, ligada por laços afeti v os ou de sangue. – A vida é riquíssima, seja do ponto de vista dos pais, dos filhos ou dos casais. Não há moti v o par a buscar elementos e xtr aor diná- rios f or a dela. – e xplica Burman. – O que me inter essa, como artista e autor , é f alar sobr e o que está a minha v olta, e o elemento mais próximo de mim são as r elações afeti v as e f amiliar es. Até por que não e xiste um filme que não se- jam, dir eta ou indir etamente, so- br e f a mílias. As comédias r o mân- ticas, por e xemplo , são filmes so- br e f amília, há sempr e alguém buscando um homem ou uma m u - lher par a construir um lar . O núcleo f a miliar é, par a o di- r etor , uma f onte inesgotáv el de assuntos par a filmes. -->Dois irmãos -->f ala sobr e dois per sonagens afe- tados pela modo como s e r ela- cionar am com os pais. O sessen- tão Mar cos (Antonio Gasalla) de- dicou toda sua vida adulta a cui- dar da mãe v elha e enferma. Su- sana (Gr aciela Bor ges), a irmã egocêntrica e manipulador a, sempr e m ante v e distância das r esponsa bilidades f amiliar es. Com a m orte da mãe, Mar cos se vê obrigado a criar no v os objeti v os na vida. Susana, que sempr e m e - nospr e zar a o irmão , e xpulsa-o da casa materna e o manda par a uma vila no Uruguai. Lá, ele se junta a um g rupo de teatr o , f az amizades na cidade, se sente atr a ído pelo di - r etor do g rupo e, aos poucos, r e - conquista o pr az er de vi v er . O filme é inspir ado no r omance -->V illa Laur a -->, de Sér gio Dubco vsk y . – Li o li vr o há uns três anos e fiquei m uito impr essionado . T i v e que deixar o m eu nar cisismo de lado par a, depois de seis filmes escr e v endo minhas próprias his- tórias, assumir que ha via encon- tr ado um material alheio tão bom ou melhor do que o m eu – ri o dir etor , que ganhou pr ojeção in- ternacional depois de v encer o Prêmio Especial do Júri do F e s- ti v al de Ber lim com -->Abr aço par- tido -->. – N unca ha via ficado entu- siasmado com o te xto de outr a pessoa antes. O r oteir o , coescrito por Diego Dubco vsk y , é uma r edução quase fiel do li vr o . Burman cortou al- guns per sonagens e sua viz ou o tom de alguns aspectos da his- tória original. – Susana, no li vr o , é um per- sonagem odiáv el. A homosse xua- lidade de Mar cos é descrita com mais sor didez – aponta. -->Dois irmãos -->está se firmando como o maior sucesso comer cial do dir etor na Ar gentina, onde já f o i visto por mais de 500 mil e s- pectador es. P arte do sucesso está associado à popularidade do elenco principal: Antonio Gasalla e G r aciela Bor ges são astr os do teatr o do país. Gr aciela também tem um currículo e xpr essi v o no cinema, com mais de 40 títulos. Um dos mais r ecentes é -->O pân- tano -->, de Lucrécia Martel, outr o nome e xpr essi v o da no v a ger ação de dir etor es. – Dirigi-los f oi como comandar dois Boings ao mesmo tempo . Er a pr eciso ener gia par a colocá-los no ar , na mesma altitude – ri o di- r etor . – M as eles são ator es e x - cepcionais, só acr escentar am mais v alor a uma história por si só arr e batador a.-->AFETO FAMILIAR -->– Na cidade para acompanhar o Festival do Rio, dir etor diz que tem pr eguiça das histórias mirabolantes