Maria Lucia Dahl

-->mldahlter ra.com.br-->Uma grande viagem no tempo e no espaço-->É-->bastante impr essionante o que o tempo f az com a gente. É clar o que eu já tinha notado isso , já que não sou nenhum be bê. Mas não es - tou f alando da aparência e sim das lembr anças, das m udan - ças, das andanças. A última v ez em que vim ao Recife f oi tr a balhando como atriz na pe - ça -->T r air e coçar é só começar -->, naquele teatr o deslumbr ante que se c hama Santa Iza bel. As - sim que c heguei à cidade, lem - br ei-me da peça, das saídas com nossa equipe mar a vilho - sa, dos nossos papos, fiz as contas e conclui que isso tudo que eu lemb rava como se f osse ontem, tinha ocorrido 20 anos atrás! F iquei um tempo em estado de c hoque, depois, par a r ela - xar , r esolvi ir a Olinda, uma das cidades mais bonitas que já vi. P eguei o carr o com uns amigos e f omos pr a lá. “Ó linda situação par a se construir uma cidade”, disse Duarte Coelho P er eir a, batizando assim aque - la ilha mar a vilhosa situada on - de os rios Capibaribe e Be be - ribe se unem. Entr ei no v amente no Con - v ento de São F r ancisco , cons - truído em 1577, cujas par edes que cobr em os corr edor es fi - z er am, diante do meu encan - tamento , que o guia me tr adu - zisse do tur co , o significado da pala vr a “azulejo”. Que quer di - z er “pedr a lisa e azul”. Ainda me e xplicou de onde v em a e x - pr essão: “sem eir a nem beir a”, mostr ando-me três fileir as de telhas do lado de cima da pa - r ede da ig r eja, uma em cima da outr a, ensinando-me que a de cima c hama-se “eir a”, a do meio “beir a” e a ter ceir a “tri - beir a”, a qual só os ricos co - loca v am por não ter em de eco- nomizar nas obr as de suas man- sões. Então , depois de me des- lumbr ar no v amente com Olinda, fui passear com meu amigo na Pr aia de Boa V iagem em fr ente ao nosso hotel. Impr essionei-me com os a vi - sos pr egados nos postos de sal - v amento , com o desenho de um tubarão , em cima, que diziam: “Evite o banho de mar em ár eas de mar a berto , no pe - ríodo de maré alta (particu - larmente no período de lua no - v a e lua c heia), ao amanhecer e ao cair da tar de, na f oz do rio , em ár ea pr ofundas em nív el acima da cintur a, em águas tur v as, especialmente nos pe - ríodos c huv osos, se esti v er so - zinho , com sang r amento , com joias ou objetos brilhantes, ou se esti v er alcoolizado , por cau - sa dos tubarões”. F iquei olhando a água cer cada por arr ecifes e pensando se teria cor agem de mer gulhar nela de- pois daqueles a visos. Ac hamos melhor almoçar no r estaur ante que data de mais de um século atrás, o Leite que f oi uma incrív el no vidade par a mim. Depois fui com meu ami - go v er o P alácio das Princesas que a briga o Go v erno do Es - tado , e no qual ele tinha um quarto permanente quando er a jo v em, e seu tio er a o go - v ernador do estado . A situação do P alácio , loca - lizado em outr a ilha, é das mais pri vilegiadas, com um g r ande jar dim do Bur le Marx e defr on - te a casarios tão lindos quanto o próprio palácio , como o da Casa da Cultur a e a Estação F err o viária , um prédio a bso - lutamente deslumbr ante P asseei pelo palácio , vi os qua- dr os do pintor impr essionista r e - cifense Mário Nunes, os do pin- tor Gastão F ormenti, amigo do meu a vô, os móv eis iguais aos da casa da minha mãe, e pensei no- v amente no tempo . P or que será que ele me c hama sempr e à in- fância querida que os anos não tr az em mais? Então , antes de v oltar ao ho- tel, f o mos jantar com o G uilher- me Sea br a e sua m ulher , K átia, que mor am aqui, e Guilherme me disse há quantos anos não nos víamos. Muito mais de 30. Isso não está certo . Não se f az. Então meu amigo e eu f omos dormir no hotel V ilarica, em Boa V iagem, tentando ac har uma e xplicação par a o tempo como “azulejo”, por e xemplo , ou “sem eir a nem beir a” dada pelo guia dos p a- lácios. De balde.-->“No Recife, tudo que eu lembrava como se fosse ontem tinha ocorrido 20 anos atrás!”