Liberdade de movimento

-->19-->Bolívar T o rr es-->LY O N-->É m uito difícil arr ancar fr ases mais longas da americana T risha Br o wn. Não por ar - r o gância ou má v ontade da última g r ande dama da dança moderna, hoje uma senhor a de 73 anos. Até por que polidez e gene - r osidade, f aça-se justiça, sempr e f or am duas das car acterísticas mais mar cantes de sua luminosa – mas discr eta – per sonalidade. A v er dade é que T risha não gosta de f alar sobr e sua arte. Esqui v a-se com r espostas curtas e genéricas, ou desvia sutilmente o assunto , a cada v ez que o inter lecutor e xige dig r essões sobr e o sem númer o de cor eo g r afias, mo - vimentos e dança-desenhos criados por ela. – São coisas m u ito pessoais – con- fessa a artista. – Não posso f az er um r esumo e ser vi-los em uma bandeja. Pr efir o guar dar os meus seg r edos par a mim. Em v ez de f alar sobr e minha dan- ça, pr efir o simplesmente dançar . Dito isto , não sur pr eende que seja tão gentilmente lacônica quando con vidada a e xplicar o nome de sua – belíssima – peça -->L’amour au théa tr e -->( -->Amor ao tea tro -->, de 2009), uma das quatr o que sua pr es - tigiada companhia apr esentou na 14º Bie - nal de dança de L y on, que v ai até se x - ta-feir a. P or que este título , T risha? – E por que não? – de v olv e a artista com um sorriso , e a r esposta aca ba por aí. Um pouco de insistência, porém, e ela aca ba r ef orm ulando , não sem f az er um ár duo esf orço: – O título v eio com os elementos que usamos par a conce ber as primeir as co - r eo g r afias da peça – conta, r eferindo-se ao espetáculo construído a partir da ópe - r a setecentista de J ean-Philippe Ra - meau. – Mas tudo sur giu m uito natu - r almente. Com esta música e estes dan - çarinos, ac ho que f azia sentido . T risha não é apenas uma das prin - cipais pr esenças em L y on, como também uma das mais difundidas. Como apenas um teatr o er a insuficiente par a uma tr a - jetória artística tão coesa, a or ganização da Bienal r eser v ou-lhe lo go três espaços nobr es: o palco do T r ansbor deur , onde apr esentou suas peças de dança ( -->Opal loop -->, de 1980; -->F or a y F orêt -->, de 1990; -->You can see us -->, de 1995; e -->L’amour au théa tr e -->, de 2009); o Museu de Arte Contempo - rânea, onde estão e xpostos os seus de - senhos e anotações; e os e xterior es do par que Tête-d’or , cujo g r amado r ece be seus Ear l y w or ks minimalistas da década de 70, dos quais a artista diz hoje ter se af astado . Entr e as peças apr esentadas, destaque par a a misteriosa -->Opal loop/Cloud ins - tala tion #72503 -->, um espetáculo de dança e instalação que brinca com as per cep - ções colocando os dançarinos em escul - tur as de bruma da artista plástica ja - ponesa Fujik o Naka y a. – Fujik o é uma amiga antiga, e que tr a balhou por m uitos anos usando a bru - ma como uma substância de seu tr a balho . Queria incor por ar este tr a balho na dança – e xplica T risha que, no v amente, não v ai mais longe do que essas duas fr ases. É simples dançar ao ar li vr e. O com - plicado , contudo , é tr az er o ar li vr e par a dentr o do palco – e aí se mostr a o espírito destemido de T risha, f amosa por le v ar a dança aos lugar es mais impr o váv eis, des - de o tempo em que e xibia as suas pri - meir as cor eo g r afias no telhado de seus vizinhos no Soho . P or toda sua liber dade e amplitude, por assumir todas as dir eções e r ecusar todas, talv ez seja ainda mais difícil de - finir a obr a de T risha do que f azê-la f alar sobr e ela. Um acirr ado de bate se f ormou entr e jornalistas: a dança de T risha de - v eria ser c hamada de moderna ou con - temporânea? E como T risha via estas distinções? Não só T risha fugiu do im - passe, como os próprios de batedor es ti - v er am que encerrá-lo com uma simples conclusão: “Não é nem moderna, nem contemporânea. É T risha Br o wn”. Expostos no MA C de L y on até de - z embr o , os desenhos da artista compr o - v am que a sua cor eo g r afia ultr apassa a dança pr opriamente dita. T risha se ajoe - lha no c hão de seu estúdio e, m unida de cr a y ons nos pés e nas mãos, f az uma espécie de “dança no papel”, r egistr an - do os seus mo vimentos. – Houv e uma época em que comecei a me questionar até quando eu poderia dançar , quando que a dança começa v a e quando que ela termina v a – r ecor da a artista. – Eu queria v oltar a d ançar , mas le v ando a linguagem que eu esta v a f a - z endo ao pr esente, tr aduzir os mo vimen - tos ao tempo pr esente. A v er dade é que quer o dançar a vida toda. Nunca quer o par ar de dançar .-->demovimento-->O espírito destemido de T risha Br own levou sua obra a lugar es impr ováveis e r ecriou no palco a leveza dos movimentos ao ar livr eO r epór ter viajou a convite da or ganização da Bienal de Dança de L yon