Descobri que familia e uma necessidade

-->Fotos de divulgação-->CINEMA -->| CONTINUAÇÃO-->“Descobri que família é uma necessidade”-->François Ozon, sempr e amar go acer ca de r elações familiar es, diz que ‘O r efúgio’ mostra seu amadur ecimento sobr e o tema-->Carlos Helí de Almeida-->Há grávidas e be bês em seus fil- mes recentes, como ‘O tempo que resta’ e ‘Ric k y’. P o r que esse in- teresse súbito? -->– Sei que n unca ficar ei g rávido e me sinto próximo aos per sonagens des - ses filmes, especialmente ao de Ma - rie Ri viér e em -->O tempo que r esta -->. Como ela, sempr e quis tocar a bar - riga de m ulher es g rávidas. T enho mostr ado que, par a os homens, a g r a videz é um mistério , que eles não entendem como as m ulher es se sen - tem nesse estado . -->P or que a opção pelo realismo nas sequências de consumo de dro gas em ‘O refúgio’? -->– Em cinema, as dr o gas costumam ser m uito idealizadas. Er a impor - tante mostr ar a r ealidade do a buso de substâncias químicas. Ao mes - mo tempo , deixo clar o que os usuá - rios sentem pr az er com elas. F oi o jeito que encontr ei par a começar a história de f orma sombria e con - duzir os per sonagens par a a luz; construí uma pr o g r essão . T enho uma amiga que já f oi dependente de dr o gas. Ela este v e no set, ajudou os ator es nas cenas, especialmente na sequência em que os per sona - gens não conseguem encontr ar uma v eia sadia par a aplicar a dr o ga. T ambém pesquisei sobr e m ulher es viciadas em her oína que eng r a vi - dam. Elas costumam não ficar com os be bês, doam depois do parto . -->É uma f orma doentia de a bordar a maternidade... -->– A m aternidade sempr e f oi edul - cor ada pelo cinema. Ano passado , houv e um boom de histórias r eais sobr e mães que matar am os filhos após o parto , que puser am o be bê no congelador , coisas assim. Que - ria f alar sobr e a dificuldade de ser mãe. Não acr edito em instinto ma - ternal. A per sonagem de Isa belle fica com o be bê, não pelo desejo de ser mãe mas par a aceitar a morte do homem que ama v a. V ejo uma ligação dela com o per sonagem de Char lotte Rampling em -->Sob a areia -->, que pr efer e con vi v er com o f antasma do marido a aceitar o desapar ecimento dele. -->A pesar do início trágico, o filme transmite esperança. Mudou o que pensa sobre pais e filhos? -->– Ac ho que esta m udança está r e - lacionada a minha maturidade. Desde de -->Ricky -->, sobr e u m casal pobr e que dá à luz um be bê com asas, per ce bi que a f amília é uma necessidade. T alv ez em meus pri - meir os filmes eu tenha sido m uito ag r essi v o em r elação à f amília, par - ticularmente em -->Sitcom -->. Nós pr e - cisamos de uma f amília, isso pode ser um pr oblema, mas temos que lidar com essa r ealidade, ac har um equilíbrio par a vi v er juntos. Mes - mo que não seja uma f amília nos moldes tr adicionais. -->P or que colocar um persona gem ga y como porto se guro na tu- m ultuada vida da prota gonista de seu filme? -->– V i que seria inter essante par a a história. Não se tr ata de uma história de amor , mas sobr e o encontr o entr e duas pessoas di- fer entes que se ajudam m u tua- mente. Mousse e P aul são dois desajustados, que ac ham um lu- gar par a construir uma vida em com um: ela o ajuda a encontr ar sua identidade v er dadeir a, e ele a ajuda a v oltar a criar uma li- gação com a vida. -->Houv e alguma razão especial pa- ra ter sido dado o p a pel de P aul (o coprota gonista) não a um ator profissional, e sim ao cantor Louis-Ronan Choisy? -->– Não queria um ator pr ofissio- nal par a o papel. Seria mais in- ter essante par a o filme que o copr otagonista não f osse um r o s- to conhecido na F r ança. Acima de tudo , Louis tem uma aparên- cia frágil, uma car acterística fundamental par a o per sonagem P aul, que tem pr oblemas de identidade. Louis é um homem m uito bonito , mas n ão se sente conf ortáv el com isso , então er a perfeito . F iz um teste com Isa- belle antes do início das filma- gens, e per ce bi que eles funcio- nar am m uito bem juntos.-->BARRIGA DE ALUGUEL -->–A atriz Isabelle Car ré estava grávida durante toda a filmagem de ‘O r efúgio’-->É v erdade que Isa belle Carré f oi escolhida para o pa pel porque esta v a grávida? -->– Sim, eu pr ecisa v a de uma atriz g rávida de v er dade par a o filme! Este é um pr ojeto m uito especial. Primeir o , por que não esta v a em meus planos. Esta v a pr estes a sair de férias de v erão quando uma atriz amiga minha me ligou par a diz er que esta v a g rávida. Reagi: “Sa be de uma coisa? Sempr e sonhei em f a- z er um filme com uma g rávida”. Cheguei a per guntar -lhe se to- paria tr a balhar naquele estado . Dois dias depois ela me liga: “Já fui mãe e tr a balhei contigo antes e sei que seria impossív el f az er as duas coisas ao mesmo tempo”. Eu tinha a bandonado a ideia quando meu dir etor de elenco ligou a vi- sando que conhecia três atriz es g rávidas. Uma delas er a a Isa- belle Carré. -->E por que optou por ela? -->– P or que Isa belle tem uma imagem jo v em, e eu queria acompanhar a tr ansf ormação dela em mãe, em uma no v a m ulher , mais madur a. Na - quela época, eu ainda não tinha o r oteir o , apenas uma ideia par a o filme, en v olv endo um casal de vi - ciados que sofr e uma o v er dose, mas só ela sobr e vi v e par a descobrir que está g rávida do namor ado morto .