Democracia e ambiente soberano
Por José Eduardo Frascá Poyares Jardim e Miguel Fernández y Fernández
Em 1925, há só 100 anos, o planeta Terra, nossa espaçonave, tinha cerca de 1,9 bilhão de tripulantes, em 1975 eram 4,0 bi e em 2025 atingiu 8,5 bi, distribuídos por diversos grupos, povos, países, nações. Grosso modo, a cada meio século, o planeta duplicou a população. Em algumas áreas, as taxas de natalidade diminuíram, mas a longevidade das pessoas aumentou. E em outras, simplesmente aumentaram taxas e população. Os números totais assustam.
A superfície do planeta é finita, da ordem de 510.000.000 km2, sendo 30% terra (150mi km2) e 70% água. Da terra firme, só cerca de 1/3 é habitável (2/3 são desertos e geleiras). Em 2025 a densidade populacional média era de cerca de 170 pessoas por km2 habitável, ou seja, uma pessoa por 0,58ha (58m x 100m), um campo de futebol médio para cada humano
Levando em conta que precisamos dividir o espaço habitável com outras espécies, como vacas, ovelhas, porcos, cabras, cavalos, ratos, gatos, cachorros, raposas, lobos, baratas, mosquitos, coelhos, galinhas, elefantes, macacos, tamanduás, pavões, corujas, cobras e beija-flores, como já foi estabelecido por Noé, há bem mais de 3 mil anos, conclui-se que a situação é complicada e que são justas as preocupações com o planeta.
Preservar nossos companheiros não humanos, mais ou menos úteis, alguns aos quais nos afeiçoamos e outros que, de uma forma ou de outra, sabendo ou não como, ou por que, vivemos em simbiose, é uma missão nobre que todos apoiamos. É um axioma
Entretanto, os 8,5 bi de “homo sapiens” precisam se alimentar, regular as temperaturas de suas casas, construir seus formigueiros de formas engenhosas e almejam evoluir, como bem filosofou o antropólogo (e teólogo jesuíta) Teillard de Chardin.
Algumas partes do planeta, alguns povos, algumas nações, já resolveram seus problemas de riqueza e bem-estar, muitas vezes às custas de buscar recursos naturais finitos, fora de seus territórios, seja comprando (trocando), seja buscado à força, enfim, mal ou bem, resolveram suas necessidades iniciais. São os ditos países “desenvolvidos”.
Os antigos processos colonialistas, com uso intensivo de força bruta sofisticou-se, evoluiu para processos político-econômico-financeiros, mais eficientes, mais eficazes e, quase sempre, de difícil visualização. Com discursos românticos, muitos se deixam envolver pelo fraseado, como já haviam notado Sócrates, Aristóteles, Platão e outros pensadores da antiga Grécia, há mais de 2,5 mil anos, quando forjaram a palavra “demagogia”. Ou por outros pensadores mais modernos, como Thomas More, no século XVI, com “utopia”.
Note-se que, no Brasil, em 2025 éramos 215milhões de pessoas (só 2,5% da população mundial). O Brasil tem cerca de 8,5 mi de km2 dessa terra habitável, ou seja, 17%. Uma porcentagem expressiva. E uma taxa de ocupação muito menor.do que a média mundial: 40 pessoas / km2. Menos de 25% da média mundial! Quatro campos de futebol para cada brasileiro!
Em que pese nossa parte da tripulação do planeta seja muito pequena (2,5%, como aqui já dito), algumas entidades e algumas pessoas, muitas delas entre nós que, por modismo, ou por terem sido catequisadas assim, ou por falta de opção, se dedicam a querer que, um pais ainda não desenvolvido, como o Brasil, que precisa e merece melhorar o padrão de vida de seu povo, abra mão de explorar suas jazidas, suas riquezas, desenvolver suas artes e seu trabalho honesto e justo.
Em que pese nossa parte da tripulação do planeta seja muito pequena (2,5%, como aqui já dito), algumas entidades e algumas pessoas, muitas delas entre nós que, por modismo, ou por terem sido catequisadas assim, ou por falta de opção, se dedicam a querer que, um pais ainda não desenvolvido, como o Brasil, que precisa e merece melhorar o padrão de vida de seu povo, abra mão de explorar suas jazidas, suas riquezas, desenvolver suas artes e seu trabalho honesto e justo.
Por que nossos ambientalistas não ajudam a nossa Petrobras nas suas prospecções na dita “margem equatorial” e a não limitarem nossas hidroelétricas a operar “a fio de água” (sem reserva)?
É correto pensar o ambiente sem considerar a demografia e o estágio de desenvolvimento? É justo?
Precisamos de ações racionais de defesa do ambiente, com responsabilidade, sem extremismos e levando em conta nossa soberania e nossos interesses.
Por José Eduardo Frascá Poyares Jardim, presidente do Instituto de Engenharia.
Miguel Fernández y Fernández, diretor do Instituto de Engenharia.